A Raízen, gigante controlada pela Cosan e pela Shell, entrou em uma fase decisiva para definir seu futuro financeiro. As reuniões com credores ganharam um ritmo acelerado para fechar os termos da recuperação extrajudicial nas próximas horas.
O objetivo central é apresentar um plano sólido até o dia 3 de junho, permitindo que os comitês de crédito analisem a proposta antes da homologação judicial. O mercado observa atentamente cada passo dessa negociação complexa e urgente.
A urgência se justifica pela necessidade de resolver pendências financeiras imediatas e garantir a continuidade das operações da companhia, que possui dívidas bilionárias, conforme divulgado pelo Estadão.
Os detalhes do plano de recuperação extrajudicial da Raízen
As discussões avançam com base na proposta apresentada pela Shell, que prevê uma injeção imediata de R$ 3,5 bilhões na companhia. Bancos e credores locais já demonstram alinhamento com os termos sugeridos para o acordo.
A proposta inclui a conversão de 45% da dívida de R$ 65 bilhões em ações, ao preço de R$ 0,25 por papel. Embora tenha havido resistência inicial, os bancos cederam para evitar um processo de recuperação judicial mais traumático.
“Não morremos de amor por isso”, disse um dos credores bancários em condição de anonimato. No entanto, acrescentou outra fonte, “a realidade se impôs” e já é claro que uma recuperação judicial traria prejuízos ainda maiores aos envolvidos.
Bondholders e a resistência nas negociações
Os detentores de títulos de dívida externa, conhecidos como bondholders, voltaram à mesa de negociações nesta semana. Eles representam a maior parcela do endividamento da Raízen, somando cerca de R$ 27,2 bilhões em bônus emitidos em dólar.
Anteriormente, esse grupo havia resistido às condições, tentando garantir uma fatia menor de conversão de dívida em ações. Eles chegaram a propor um empréstimo de US$ 2,5 bilhões, mas a ideia foi descartada por ser considerada inviável comercialmente.
“Os detentores de títulos de dívida buscavam condições comerciais inviáveis para a situação atual da companhia e que poderiam trazer risco ao passivo no longo prazo”, afirmaram fontes próximas às tratativas sobre a recuperação extrajudicial.
Mudanças drásticas na governança e venda de ativos
O novo plano de recuperação extrajudicial da Raízen prevê que os credores passem a ter forte influência na gestão. Eles devem indicar quatro dos sete membros do conselho de administração, assumindo inclusive a presidência do colegiado administrativo.
Além disso, a empresa planeja uma profunda reorganização societária. A proposta inclui a separação formal entre os negócios de energia e a distribuição de combustíveis, além de um programa agressivo de venda de ativos, como usinas de açúcar.
A Shell reiterou que “apoia a decisão da equipe de gestão da Raízen de entrar com um pedido de recuperação extrajudicial em comum acordo com os credores, visando uma solução negociada e que funcione para todas as partes”.
Transparência e próximos passos do processo
Para garantir a igualdade de acesso às informações, a Raízen disponibilizou os materiais da reestruturação em seu site de relações com investidores. O cronograma prevê que o término de toda a reestruturação financeira ocorra até março de 2027.
A empresa sustenta uma visão positiva para o longo prazo, destacando o crescimento da demanda global por etanol. Segundo dados apresentados, a companhia conseguiu elevar sua eficiência operacional e reduzir despesas administrativas mesmo diante do cenário de crise financeira.
A conclusão do plano depende agora da aprovação final dos credores e da homologação pela Justiça, prevista para o dia 9 de junho. Este movimento é visto como essencial para proteger o caixa e honrar contratos de derivativos que estão atrasados.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







