O mercado de entregas no Brasil está prestes a passar por uma mudança significativa. O órgão antitruste brasileiro deve decidir em breve o futuro de uma briga de gigantes que envolve o setor de alimentação.
A disputa entre Keeta e 99Food envolve acusações graves de práticas que estariam dificultando a entrada de novas empresas no setor de entregas. Isso afeta diretamente a forma como pedimos comida e os preços finais.
O julgamento é aguardado com ansiedade por restaurantes e consumidores, pois pode abrir espaço para novos aplicativos no país e aumentar a concorrência, conforme divulgado pelo Estadão.
A disputa entre Keeta e 99Food e o impacto no mercado de delivery de comida
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deverá arbitrar, no segundo semestre deste ano, a disputa entre a Keeta Delivery Brazil e a 99Food no mercado nacional de entrega de refeições.
A investigação teve origem em agosto de 2025, quando a Keeta acusou sua concorrente de utilizar cláusulas de banimento. Essas regras contratuais proibiriam parceiros de trabalhar com outros aplicativos específicos.
Embora o caso tenha sido arquivado inicialmente, o presidente interino do Cade, Diogo Thomson, reabriu o processo. Ele destacou que não foram ouvidos os restaurantes que poderiam ser afetados por essas cláusulas de exclusividade.
Entenda o que são as cláusulas de banimento no setor
As cláusulas de banimento são regras em contratos comerciais que impedem um restaurante de fechar parcerias com concorrentes diretos. Para a Keeta, isso cria uma barreira quase instransponível no mercado.
Atualmente, a Keeta atua apenas em São Paulo e na Baixada Santista. Seus planos de expansão para outras capitais brasileiras foram adiados justamente pela dificuldade de entrar em um mercado que consideram fechado.
Caso o Cade decida contra a 99Food, a empresa poderá ser obrigada a assinar um acordo de compromisso. O objetivo seria garantir que novos players consigam operar sem serem bloqueados por contratos de exclusividade.
A participação do iFood e da Abrasel no julgamento
O iFood, líder do setor, também se manifestou no processo. A empresa solicitou que o Cade monitore ativamente as estratégias de preços de todas as plataformas para evitar condutas de preço predatório.
Já a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) entrou como terceira interessada. A entidade afirma que a falta de concorrência retira o poder de negociação dos estabelecimentos e aumenta os custos.
Segundo a Abrasel, existem “evidências concretas do estado atual do mercado brasileiro de delivery de alimentos, caracterizado por forte penetração e dependência das plataformas de entrega”, o que prejudica o setor.
Uma rivalidade internacional que chega ao território brasileiro
Curiosamente, essa briga reflete um embate que já acontece na China. A Keeta pertence à Meituan, a maior empresa de delivery do mundo, enquanto a 99Food faz parte do grupo chinês DiDi.
Ambas enxergam o Brasil como um território estratégico para a expansão global. A decisão do Cade será fundamental para definir se o mercado continuará concentrado ou se haverá mais opções para o público.
A fonte original desta notícia é o Estadão.







