Importantes instituições financeiras globais estão mudando suas estratégias e retirando ativos da maior potência do mundo, sinalizando um momento de alerta para investidores de todo o planeta.
Bancos centrais da Europa e grandes fundos soberanos buscam proteger seu capital diante de um cenário de incerteza fiscal e tensões políticas que colocam o dólar em uma posição desafiadora.
O aumento expressivo do endividamento norte-americano e as recentes promessas de campanha geram debates intensos sobre a estabilidade do país como porto seguro, conforme divulgado pelo Estadão.
A crise de confiança e o futuro da economia dos EUA
Nos últimos meses, os bancos centrais da França e da Holanda decidiram retirar suas reservas em ouro estocadas em solo americano. Além disso, o fundo soberano da Noruega anunciou o desejo de reduzir sua posição em títulos públicos.
Esses movimentos mostram que a percepção de risco sobre a economia dos EUA mudou. Fatores como o descontrole fiscal e as tensões geopolíticas alimentadas por decisões recentes têm pesado negativamente na visão dos grandes investidores.
O peso da dívida de US$ 40 trilhões
Um dos pontos centrais da preocupação é o endividamento, que superou a marca de US$ 40 trilhões. Segundo o economista Luis Otávio Leal, da G5 Partners, a dívida americana duplicou em apenas dez anos, chegando a 120% do PIB.
“Tem um problema fiscal nos Estados Unidos. E tem poucas chances de o país resolver esse problema no curto prazo”, afirma Leal. Esse cenário obriga o governo a emitir mais títulos para se financiar, elevando os juros globais.
O professor Armando Castelar ressalta que o país vive um ciclo vicioso parecido com o brasileiro, com déficit alto e juros crescentes. Para ele, o que antes era considerado risco zero, agora já apresenta algum grau de incerteza.
As políticas de Donald Trump e o cenário global
O governo de Donald Trump também contribui para o clima de instabilidade. Medidas como o “One Big Beautiful Bill” podem elevar a dívida em mais de US$ 4 trilhões ao longo da próxima década, agravando as contas públicas.
Além disso, propostas inusitadas, como o pagamento de um cheque de US$ 5 mil para cada adulto americano, têm custo estimado em US$ 1,3 trilhão. Isso gera dúvidas sobre a sustentabilidade financeira do governo no longo prazo.
No campo geopolítico, o estilo de Trump também causa desconforto. Tarifas comerciais e declarações polêmicas sobre territórios estrangeiros, como a Groenlândia, balançaram a relação histórica dos Estados Unidos com a União Europeia.
Pressão sobre os juros e o ajuste no Brasil
O aumento do rendimento dos títulos americanos afeta diretamente o Brasil. Quando os investidores exigem mais para emprestar dinheiro aos EUA, acabam cobrando juros ainda maiores de países emergentes, como a nossa economia.
Atualmente, o Brasil possui uma dívida bruta de 82,5%, nível considerado elevado para seus pares. Isso reforça a necessidade de um ajuste fiscal rigoroso para evitar que a desconfiança externa prejudique ainda mais os investimentos.
Para Luis Otávio Leal, os juros altos nos EUA impedem que as taxas caiam de forma expressiva por aqui. Ele projeta que o piso para os juros brasileiros, que antes ficava entre 5% e 6%, agora deve oscilar entre 7% e 8%.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | Por que a desconfiança global com a economia dos EUA vem crescendo pouco a pouco







