A região Norte enfrenta um momento de extrema criticidade com a redução drástica do nível das águas. O Rio Tapajós, em Itaituba, pode atingir marcas alarmantes e ficar abaixo do nível de restrição até o fim de setembro.
Essa queda no nível do rio ameaça interromper a navegação por meses, afetando o transporte de milhões de toneladas de grãos e o abastecimento de combustíveis em diversas cidades, colocando em risco a economia local.
Além dos fatores climáticos, a falta de segurança jurídica e o atraso em obras essenciais agravam o cenário para o setor logístico e para a economia nacional, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto da seca severa nas Hidrovias da Amazônia e os riscos para o agronegócio
A estimativa é que cerca de cinco milhões de toneladas de grãos deixem de circular caso o Tapajós fique inoperante por até quatro meses. O prejuízo financeiro direto pode alcançar a marca de R$ 850 milhões.
O Arco Norte, que responde por mais de um terço das exportações brasileiras de soja e milho, cresce 14% ao ano desde 2009. No entanto, a estiagem severa já interrompeu operações essenciais por 45 dias em 2024.
Prejuízos milionários e risco de desabastecimento
Segundo dados da Agência Nacional de Águas, o nível do rio pode cair drasticamente. Isso afetaria o fornecimento de combustíveis que atende 17 municípios nos estados do Pará e do Mato Grosso, gerando um caos social.
A crise atinge o corredor logístico que mais cresce no agronegócio brasileiro. O setor agora lida com o temor de que a infraestrutura regional seja tratada como moeda populista em um período de forte disputa eleitoral.
O entrave da insegurança jurídica e obras paradas
No Rio Tocantins, o projeto do Pedral do Lourenço segue travado por decisões judiciais e pedidos de tombamento no Iphan. Esse cenário gera uma insegurança jurídica explosiva que afasta investidores e cancela contratos.
Um levantamento do Instituto GRI aponta que existem cerca de R$ 4 bilhões em investimentos represados nas concessões da região. As empresas já revisam planos de expansão devido à falta de clareza nas regras vigentes.
A vantagem logística e ambiental do transporte fluvial
O transporte pelas Hidrovias da Amazônia custa cerca de R$ 70 por tonelada, praticamente metade dos R$ 130 cobrados pelo frete rodoviário. É uma alternativa muito mais barata e eficiente para o produtor nacional.
Além da economia, um comboio de 35 barcaças substitui 1.700 caminhões nas estradas. Essa modalidade emite cinco vezes menos gases de efeito estufa por tonelada transportada, sendo vital para as metas ambientais do país.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | Insegurança jurídica nas hidrovias da Amazônia







