A disputa em torno do comando do conselho de administração da Vale ganhou novos capítulos nos últimos dias. O encerramento do mandato do atual presidente está marcado apenas para abril do próximo ano, mas a pressão interna cresce.

Ao antecipar essa troca, o fundo de previdência Previ, que é o maior acionista da mineradora, acaba gerando um desgaste considerado precoce. Grandes investidores avaliam que o movimento pode ser desnecessário e pretendem resistir à mudança.

Diferente de episódios anteriores, a disputa agora foca no órgão máximo de planejamento da companhia. O conselho dita o ritmo de investimentos cruciais e o direcionamento dos negócios, conforme divulgado pelo Estadão.

A queda de braço pelo controle do conselho de administração da Vale

No dia 11, a Previ, que detém 7,02% do capital da Vale, pediu a convocação de uma assembleia para destituir Daniel Stieler, atual presidente do colegiado. O fundo indicou Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie, para a vaga.

O argumento usado pelo fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil é a necessidade de renovação estratégica. Eles defendem que a troca é essencial para o aprimoramento da governança corporativa da mineradora neste momento.

A Previ afirmou em nota oficial que a “iniciativa está alinhada ao seu papel de investidora institucional”. A assembleia para decidir o futuro do cargo está marcada para o dia 22 de julho, seguindo os trâmites legais da empresa.

O racha interno no conselho da mineradora

Apesar da pressão do maior acionista, nove dos 13 conselheiros se manifestaram contra a saída de Stieler. O único voto favorável à destituição veio de Márcio Chiumento, que representa diretamente os interesses da Previ no grupo.

Stieler classificou o pedido como intempestivo e carregado de estranhamento. Para ele, a tentativa de retirá-lo do cargo sem justa causa configuraria uma “falsidade ideológica administrativa”, enfraquecendo a governança da própria companhia.

Marcelo Gasparino, vice-presidente do conselho, também criticou a medida. Ele alertou que destituições sem fatos graves geram uma “instabilidade institucional enorme”, especialmente faltando apenas nove meses para o fim do mandato original.

A busca por uma gestão técnica e sem política

Para parte dos investidores, o cenário ideal seria um conselho mais técnico e menos ligado a indicações políticas. Stieler chegou ao cargo em 2021, mas sua permanência foi garantida por costuras políticas que envolveram a diretoria da Previ.

Com a saída de nomes influentes do fundo de pensão, a situação de Stieler tornou-se frágil. Agora, o mercado busca profissionais com visões modernas em áreas estratégicas, como a de minerais raros, que são vistos como o futuro do setor.

Especialistas acreditam que a Vale precisa avançar em frentes tecnológicas e estratégicas que ainda não ocupa plenamente. Um comando técnico e alinhado ao mercado é visto como a chave para evitar novos desgastes institucionais e políticos.

A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e pode ser lida na íntegra em: Estadão.

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