A Norma Regulamentadora NR-1, que trata de riscos psicossociais no trabalho, sai do papel após um ano de adiamento. A partir de 26 de maio, empresas de todos os portes deverão apresentar documentos no Programa de Gerenciamento de Risco (PGR) e se preparar para fiscalizações que podem gerar multas. A mudança inclui monitoramento de sobrecarga, saúde mental, pressão excessiva, ambientes tóxicos e assédio.

Entidades do varejo pedem novo prazo, alegando falta de parâmetros técnicos para mensurar esses riscos, enquanto especialistas defendem que a norma trará benefícios ao trabalhador. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) confirmou que a data será mantida, apesar de discussões recentes sobre possível novo adiamento, segundo informações do Estadão.

Com menos de três meses para a aplicação, empresas como Vockan e Heineken já relataram adaptações. A seguir, detalhamos o que muda, as exigências, as multas previstas e a reação de diferentes setores. Conforme divulgado pelo Estadão.

O que muda com a nova NR-1?

As empresas deverão apresentar, anualmente, documentos que incluam inventário de risco, plano de ação e critérios de avaliação dentro do PGR. Também será preciso manter registros de treinamentos, medidas preventivas, monitoramento de resultados e planos de emergência.

O MTE orienta a identificação de perigos psicossociais, avaliação dos riscos e implementação de controle e melhoria contínua. O descumprimento gera multas que variam de R$ 1,7 mil a R$ 5,2 mil por item, podendo ser multiplicadas em caso de múltiplas autuações.

Principais exigências e multas

Não há modelo único de documento nem metodologia padronizada para mensurar os riscos, ponto criticado por setores como o Sindilojas-SP, que pediu prorrogação de um ano, alegando altos custos e complexidade técnica.

Especialistas como o médico André Fusco afirmam que a norma está tecnicamente correta, mas muitas empresas ainda não estão preparadas. “Não é um bicho de sete cabeças, é uma transição”, destaca.

Contagem regressiva nas empresas

Na Vockan, empresa de tecnologia com 138 funcionários, o CEO Fabrício Oliveira relata que a implementação não trouxe custos adicionais e que a empresa já praticava jornada de quatro dias, feedbacks mensais e treinamento de lideranças para evitar assédio.

A Heineken, com mais de 12 mil colaboradores, conduziu a adequação focando na formalização de processos já existentes, como avaliações ergonômicas. A diretora Aline Mello indica que o registro foi a principal mudança.

Riscos psicossociais considerados pelo MTE

A atualização amplia a lista de itens avaliados, incluindo assédio, baixa clareza de função, falta de reconhecimento, falta de apoio, baixa autonomia, eventos traumáticos, exigência de múltiplas tarefas cognitivas, condições físicas adversas e fatores ambientais como iluminação inadequada e desconforto térmico.

Empresas devem agora monitorar esses fatores para evitar multas e melhorar a saúde mental dos trabalhadores. O Ministério do Trabalho e Emprego informou que o tema segue em análise interna e que comunicará novas decisões pelos canais oficiais.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Plano Safra 2026/27 será o mais difícil de construção, diz secretário do Ministério da Agricultura

Plano Safra 2026/27 enfrenta crise com endividamento recorde no campo e juros elevados que preocupam produtores rurais e o Governo Federal

Secretário de Política Agrícola alerta para o cenário mais complexo dos últimos anos, impulsionado por tensões geopolíticas e custos altos de produção
The Economist: a China está lidando com um fenômeno inédito, a riqueza herdada

The Economist: a China está lidando com um fenômeno inédito, a riqueza herdada

Assim foi a maior campanha de cancelamento de todos os tempos, na…
TCU decide que vai manter acompanhamento de fundos de pensão em caráter permanente após caso Previ

TCU decide que vai manter acompanhamento de fundos de pensão em caráter permanente após caso Previ

BRASÍLIA – O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Walton…
Pesquisa da WeWork mostra que apenas 42% os brasileiros iriam ao escritório por vontade própria

Trabalho presencial: estudo revela que apenas 42% dos brasileiros escolheriam voltar ao escritório se tivessem liberdade de decisão profissional

Pesquisa aponta abismo entre obrigatoriedade imposta por empresas e a preferência real dos trabalhadores por modelos flexíveis e remotos