Carro voador da Eve faz voo experimental

Confira imagens do teste do protótipo na unidade da empresa da Embraer em Gavião Peixoto (SP). Crédito: Eve Air Mobility/Divulgação

A Gol encerra nesta sexta-feira, 27, sua trajetória de negociações na B3, iniciada em 2004. A saída da Bolsa coincide com os planos do Grupo Abra, controlador da aérea, de abrir capital em Nova York e com a estratégia de expansão internacional da companhia.

A empresa iniciou suas operações em janeiro de 2001, mirando um modelo de baixo custo (low cost) já praticado na Europa e nos Estados Unidos. Três anos depois, estreou simultaneamente na então Bovespa (hoje B3) e na Nyse (a Bolsa de Valores de Nova York), em oferta que movimentou cerca de R$ 880 milhões (US$ 280 milhões) em valores da época.

A empresa ganhou espaço em um momento em que companhias tradicionais, como Varig e Vasp, enfrentavam dificuldades financeiras. Ao longo dos anos, porém, também precisou se ajustar a um ambiente desafiador, marcado pela volatilidade cambial, pela alta do petróleo e pelos impactos da pandemia.

Uma das estratégias adotadas foi a criação, em 2022, do Grupo Abra, holding voltada a reunir ativos de aviação na América Latina, incluindo também a Avianca. Em janeiro de 2024, a Gol recorreu ao Chapter 11, equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos, com o objetivo de reestruturar sua dívida.

O processo de reestruturação, finalizado em meados de 2025, contemplou um aumento de capital de cerca de R$ 12 bilhões e resultou no fortalecimento da posição do Abra, que passou a deter cerca de 80% das ações da companhia.

Em outubro de 2025, o Grupo Abra anunciou a intenção de abrir capital nos Estados Unidos, logo após a Gol divulgar o plano para encerrar as negociações na B3. O movimento já era esperado pelo mercado, diante da forte diluição acionária e da baixa liquidez dos papéis da aérea brasileira após a reestruturação.

Apesar das incertezas do cenário macroeconômico e geopolítico, a expectativa é de que a operação ocorra ainda em 2026. Com isso, a aérea brasileira passaria a acessar o mercado de capitais sob o “guarda-chuva” do grupo controlador.

Uma possível fusão com a Azul também chegou a ser considerada como alternativa para fortalecer as finanças da Gol. No entanto, a proposta perdeu força após a entrada da concorrente em Chapter 11.

Com a saída da Gol da B3, a Azul passa a ser a única companhia aérea listada na Bolsa. A Latam não possui ações negociadas no mercado brasileiro, apenas no Chile.

Lucro

Os dados financeiros mais atualizados serão divulgados na segunda-feira, 30. No terceiro trimestre, a companhia reportou lucro líquido de R$ 248 milhões: reverteu o prejuízo líquido de R$ 1,42 bilhão registrado em igual etapa de 2024. A receita líquida da empresa cresceu 11,6% anualmente, ficando em R$ 5,54 bilhões de julho a setembro.

A dívida da Gol chegou a R$ 19,7 bilhões, montante 21,6% inferior ao registrado em um ano antes. Já a alavancagem, medida pela relação dívida líquida ajustada sobre o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos últimos 12 meses, ficou em 3,2 vezes. No segundo trimestre, era de 3,7 vezes.

A Gol registrou o segundo maior número de passageiros entre as três companhias aéreas brasileiras em 2025. A empresa transportou 31,7 milhões de pessoas em 2025, 13% a mais do que em 2024. No primeiro lugar, aparece a Latam com 39 milhões, enquanto a Azul somou 30,1 milhões de passageiros, alta anual de 3%.

Novos ares

Com mais capital e aeronaves disponíveis após a reestruturação, a Gol passou a acelerar sua expansão internacional. O movimento é sustentado pela incorporação de aeronaves Airbus A330 pelo Grupo Abra, que devem começar a ser operadas ainda neste ano e serão voltadas às rotas de longo curso. Até então, a companhia operava apenas com aeronaves da Boeing.

As aeronaves da Airbus serão utilizadas pela Gol nas novas rotas internacionais anunciadas neste mês. Os voos partirão do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, para Orlando, Paris e Lisboa.

A aérea também pretende ampliar a operação para os Estados Unidos a partir da capital fluminense, com a estratégia de transformar o Galeão em um hub internacional para voos de longo curso.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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