O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) manifestou preocupação nesta segunda‑feira, 13, sobre duas propostas legislativas que visam criar a estatal Terrabras para atuar na cadeia de terras raras e minerais críticos.

Segundo o Ibram, a prioridade deve ser o desenvolvimento tecnológico de processos de separação e refino, além do fortalecimento de instituições já existentes, como a ANM, o SGB e o Cetem.

O alerta vem em um momento em que os Estados Unidos buscam garantir o controle da cadeia de suprimentos desses minerais estratégicos, tema que tem sido destaque nas negociações entre Brasil e Washington.
conforme divulgado pelo Estadão

Propostas de Lei que criam a Terrabras

Dois projetos de lei foram apresentados na Câmara dos Deputados: o PL 1.733/2026, do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB‑DF), autoriza a criação da Terrabras vinculada ao Ministério de Minas e Energia, abrangendo desde a pesquisa geológica até a comercialização.

Já o PL 1.754/2026, do deputado Pedro Uczai (PT‑SC), amplia o escopo ao propor a absorção de funções do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a instituição de regime de partilha da produção, garantindo no mínimo 50% da produção à nova estatal.

Desafios tecnológicos e estruturais apontados pelo Ibram

Para o instituto, a principal deficiência do Brasil não é a ausência de protagonismo estatal, mas sim a falta de patentes e tecnologia de separação e refino, além de gargalos de financiamento, logística, mão de obra e insegurança jurídica.

Sem esses avanços, qualquer empresa – pública ou privada – “se limitará a produzir concentrado para vender à China a preço de commodity”, alerta o Ibram.

Por que as terras raras são estratégicas?

Os minerais de terras raras compreendem 17 elementos químicos, como cério, neodímio e disprósio, fundamentais para componentes eletrônicos, ímãs permanentes de turbinas eólicas e tecnologias de defesa.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial, estimada em 21 milhões de toneladas, porém respondeu por menos de 1% da produção global em 2024.

Alternativas propostas pelo Ibram

Em vez de criar uma nova estatal, o instituto recomenda direcionar recursos para fortalecer a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), que sofrem com restrições orçamentárias crônicas.

O Ibram também cita experiências históricas negativas, como a perda de capacidades tecnológicas da antiga Orquima e o desempenho deficitário do setor de minerais nucleares sob monopólio estatal, como argumentos contra a criação da Terrabras.

A fonte original da matéria é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

You May Also Like
Mercosul-UE: Representação Brasileira do Parlasul aprova acordo e texto vai à Câmara

Mercosul-UE: Representação Brasileira do Parlasul aprova acordo e texto vai à Câmara

Acordo Mercosul – União Europeia: o que acontece agora? 3:15 Após assinatura,…
Ibaneis retalia infiéis e libera cargos e emendas a deputados que votaram a favor de projeto do BRB

Ibaneis retalia infiéis e libera cargos e emendas a deputados que votaram a favor de projeto do BRB

Deputada levanta ‘cheque em branco’ para Ibaneis 00:21 Câmara Legislativa do Distrito…
‘Governo prejudica acionista minoritário da Petrobras ao questionar leilão’, diz Adriano Pires

Crise no Gás de Cozinha: Governo Ataca Leilões de GLP da Petrobras e Prejudica Acionistas, Alerta Especialista

Intervenção governamental nos leilões de GLP da Petrobras gera críticas e impacta mercado e investidores, aponta Adriano Pires.
Como viajar gastando pouco no Brasil

Como viajar gastando pouco no Brasil

Traveling around Brazil does not have to cost a fortune. With over…