O mercado imobiliário corporativo brasileiro registrou uma movimentação surpreendente no terceiro trimestre deste ano, alcançando cifras que não eram vistas há mais de uma década no país.

Investidores de peso estão despejando bilhões em ativos estratégicos, buscando segurança e rentabilidade mesmo diante de um cenário econômico desafiador e com taxas de juros elevadas.

Ao todo, foram negociados R$ 12,2 bilhões em operações envolvendo prédios de escritórios, galpões e shoppings, conforme divulgado pelo Estadão.

Recuperação do mercado e foco em ativos de alta qualidade

O volume de R$ 12,2 bilhões registrado em apenas três meses representa a segunda maior marca dos últimos 12 anos, segundo dados da consultoria Cushman & Wakefield, reforçando o setor comercial.

O que tem despertado o interesse dos investidores são os números positivos nos diferentes tipos de imóveis, marcados pela redução generalizada dos espaços vagos e pelo crescimento no valor dos aluguéis.

Conforme explicou Renato Paglarin, líder de pesquisa da consultoria, “O investidor não compra qualquer coisa. Ele está premiando a qualidade dos ativos e a previsibilidade do fluxo de pagamentos”.

Logística lidera as transações no país

A comercialização de galpões logísticos se destacou no período, com 12 operações somando R$ 5,5 bilhões. O setor está em alta pela busca de centros de distribuição para o comércio eletrônico.

O segmento de varejo, que engloba shoppings e mega lojas, movimentou R$ 3,9 bilhões em 16 negócios. Já o setor de prédios de escritórios contou com 13 operações, totalizando R$ 2,8 bilhões investidos.

Apesar do brilho dos números, os juros altos ainda fazem muitos investidores adiarem compras, exceto quando o ativo possui localização privilegiada e inquilinos sólidos, garantindo segurança contra calotes.

A estratégia da TRX para vencer os juros

O trimestre foi marcado pelas grandes jogadas da gestora TRX. Sozinha, a empresa respondeu por R$ 3,5 bilhões em aquisições, realizando um conjunto de oito transações estratégicas no mercado nacional.

A gestora ficou famosa por viabilizar negócios com pagamento em dinheiro combinado com cotas de seus fundos. Essa estratégia foi uma maneira inteligente de driblar a falta de liquidez devido aos juros.

A maior investida da TRX foi a compra de três galpões em Guarulhos por R$ 1,4 bilhão. Outro grande negócio foi a aquisição de participações em cinco shoppings da rede Iguatemi, somando R$ 876 milhões.

Perspectivas para o futuro do setor

Mesmo com o pico de valores, a Cushman & Wakefield não acredita em uma tendência consolidada de expansão contínua, dadas as incertezas sobre os rumos econômicos e políticos do Brasil hoje.

O cenário macroeconômico segue adverso, com dívidas elevadas de empresas e consumidores. Paglarin ponderou que, em muitos casos, a conta ainda não fecha para novos investimentos de grande porte.

O setor deve continuar marcado por aquisições seletivas. A busca por oportunidades pontuais no “filé mignon” do mercado imobiliário será o motor para quem deseja rentabilidade em tempos de juros altos.

A fonte original desta notícia é o Estadão.

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