O mercado de trabalho no Brasil está passando por uma transformação profunda, especialmente para quem faz parte da chamada Geração Z. Novos dados mostram uma realidade complexa entre a escola e o emprego.

Embora a presença dos jovens em vagas formais tenha crescido, o grande desafio atual não é apenas conseguir uma oportunidade, mas sim conseguir permanecer nela por um longo período de tempo.

Pesquisadores alertam para as mudanças estruturais provocadas pela tecnologia e pela rotatividade constante nessas funções iniciais, conforme divulgado pelo Estadão.

Desafios e tendências da Geração Z no trabalho

O impacto da tecnologia e o sumiço de cargos

A Inteligência Artificial é vista como uma ameaça constante, mas o efeito pode ser diferente do imaginado. “O impacto da IA não é demissão, mas o desaparecimento dos cargos de entrada”, afirma a pesquisadora.

Essa mudança estrutural afeta diretamente quem busca o primeiro emprego. Sem as vagas de base, que costumam ser ocupadas por iniciantes, a transição entre o mundo acadêmico e o corporativo se torna cada vez mais difícil.

Números da juventude e a taxa de desemprego

Atualmente, o Brasil possui 32,9 milhões de pessoas entre 14 e 24 anos. Desse total, cerca de 13,9 milhões estão ocupadas, mas a taxa de desemprego ainda é alarmante, atingindo o dobro da média nacional.

Dados do Ministério do Trabalho indicam que 18,7% dos jovens não estão estudando nem trabalhando. Esse grupo aumentou no início de 2026, sendo classificado como a parcela da população com maior risco social no país.

Rotatividade e baixos salários nas vagas iniciais

A permanência no emprego é o principal gargalo atual. Mais da metade dos adolescentes que trabalham fica menos de um ano no mesmo posto, muitas vezes em funções generalistas com remuneração de até 1,5 salário mínimo.

As vagas para essa faixa etária estão concentradas no comércio e em serviços, como balconistas e escriturários. O perfil de ocupação pouco qualificado acaba gerando uma troca constante de funcionários nas empresas brasileiras.

Desigualdade racial e regional no mercado

Mesmo em programas regulados como a aprendizagem, as disparidades persistem. Jovens brancos recebem, em média, valores superiores aos pagos para jovens pardos, indígenas e negros nas mesmas modalidades de contratação.

Além disso, as oportunidades de estágio e aprendizagem estão concentradas no Sudeste. São Paulo, sozinho, lidera o ranking de vagas, evidenciando a dificuldade de inserção da Geração Z no trabalho em outras regiões do Brasil.

A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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