A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou novos contornos com o alerta de entidades ligadas ao setor produtivo. A proposta de redução da jornada de trabalho promete mudar a rotina de milhões de brasileiros.
No entanto, o impacto econômico dessa transição preocupa o setor do agronegócio, que lida com ciclos biológicos e colheitas urgentes. O aumento de custos pode refletir diretamente na mesa do consumidor final.
A Faesp projeta uma retração significativa na economia nacional caso a medida avance sem as devidas adaptações setoriais, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto financeiro do fim da escala 6×1 no agronegócio
A substituição da jornada atual pelo modelo 5×2, com a redução das horas semanais de 44 para 40, prevista na PEC 221/2019, pode elevar em cerca de 22% o custo por hora trabalhada no campo.
Além do custo direto na folha de pagamento, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) alerta para uma possível retração de 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
Essa mudança na legislação, sem estudos prévios que considerem as particularidades do setor rural, pode agravar a escassez de mão de obra e afetar a sustentabilidade econômica das propriedades rurais.
Desafios logísticos e biológicos no campo
As operações agropecuárias envolvem tratos diários contínuos, como ordenha, alimentação e cuidados sanitários. Essas atividades são regidas por ciclos biológicos e climáticos que não param nos fins de semana.
A produção de café, frutas, hortaliças e a pecuária leiteira são as áreas mais vulneráveis. Nestes setores, a colheita e a irrigação precisam ocorrer no momento exato para evitar a perda total da produção.
A situação dos pequenos e médios produtores
A maioria dos produtores rurais brasileiros é composta por pequenos e médios empreendedores. Eles possuem pouca capacidade de determinar preços de venda ou de repassar novos custos operacionais ao consumidor.
Segundo Tirso Meirelles, presidente da Faesp, a atividade ocorre em um contexto de margens apertadas e riscos climáticos. O campo não pode parar e animais precisam de cuidados diários, pontuou o dirigente.
O que defende a Faesp para o setor
A entidade afirma que não é contrária à valorização do trabalhador, mas defende o equilíbrio. Para a Faesp, melhorias trabalhistas devem vir acompanhadas de avanços em infraestrutura, educação e tecnologia.
A federação prega que soluções sejam construídas pelo diálogo e negociação coletiva. O objetivo é evitar que a melhoria social se transforme em um fator de insegurança econômica para quem produz os alimentos.
A fonte original desta notícia é o Estadão e pode ser acessada em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo






