A engenheira agrônoma Mariangela Hungria, da Embrapa, acaba de ser reconhecida com o World Food Prize 2025, prêmio que é o mais alto nível de reconhecimento na agricultura mundial.
Para a pesquisadora, garantir comida na mesa da população mundial exige muito mais do que apenas plantar mais, é preciso reformular toda a logística e o acesso a alimentos de qualidade.
O Brasil desponta como líder global no setor, mas ainda enfrenta barreiras econômicas para popularizar tecnologias sustentáveis em diversas culturas, conforme divulgado pelo Estadão.
A transição necessária para os fertilizantes biológicos
Mariangela afirma que o avanço rumo a uma agricultura baseada em biotecnologia é um caminho sem volta. Ela ressalta que as soluções biológicas já demonstraram alta produtividade em larga escala.
Segundo a pesquisadora, não adianta apenas propor a melhoria do solo, é preciso oferecer lucro ao agricultor. “Precisamos oferecer soluções capazes de competir com os produtos químicos”, defende a especialista.
Eventos globais, como a pandemia e o conflito entre Rússia e Ucrânia, aceleraram essa mudança no Brasil. O país se tornou líder no mercado, embora esses produtos ainda ocupem apenas 10% do espaço total.
Os entraves econômicos e o acesso democrático
O maior obstáculo para a expansão dos fertilizantes biológicos no campo é financeiro. As empresas ainda focam em grandes culturas, como soja e milho, devido às altas margens de lucro esperadas.
Isso acaba deixando de lado alimentos essenciais como o tomate e o feijão. Mariangela destaca que existem tecnologias para mais de cem espécies, mas falta interesse comercial para esses mercados menores.
A solução pode estar nas cooperativas. Elas possuem estrutura para investir em bioindústrias de alta tecnologia, garantindo que o pequeno produtor também tenha acesso a insumos mais baratos e sustentáveis.
Ciência de dados e o combate ao desperdício
A segurança alimentar também passa pela redução drástica de perdas. A pesquisadora cita que o desperdício de frutas no Brasil chega a impressionantes 70%, algo preocupante em um país onde ainda há fome.
Nesse cenário, a inteligência artificial surge como aliada, mas exige cautela. Para Mariangela, a tecnologia só funciona com curadoria humana e perguntas certas, para não gerar análises científicas equivocadas.
A ciência de dados deve ser usada para mapear onde estão as populações vulneráveis e entender suas reais necessidades nutricionais, respeitando a cultura local e a logística de cada região brasileira.
O impacto severo das mudanças climáticas no campo
As mudanças climáticas representam o risco mais urgente para a produção nacional. Em certas áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, o aumento de temperatura pode inviabilizar completamente o cultivo agrícola.
“A vida tem limites biológicos”, alerta a pesquisadora. Ela explica que o calor extremo pode destruir estruturas de proteínas e enzimas essenciais, impedindo que as plantas realizem a fotossíntese de forma adequada.
Para enfrentar esse desafio, Mariangela defende a recuperação biológica do solo através do plantio direto e rotação de culturas. Essas práticas tornam a agricultura brasileira mais resiliente diante das secas severas.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a entrevista completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







