Alexandre Schwartsman fala sobre desafio do ajuste fiscal no próximo governo
Ex-diretor do BC fala sobre a situação das contas públicas em 2027. Crédito: Alan Morici/Estadão
CORRESPONDENTE EM NOVA YORK – Megainvestidores como George Soros, Warren Buffett, Carl Icahn e Bill Ackman seguem evitando o Brasil, mas outros pesos pesados de Wall Street resolveram apostar no País antes do rali de janeiro.
Em geral, fundos ampliaram exposições ao País e revisitaram participações em empresas, elevando ou reduzindo suas fatias, conforme mostram dados mais recentes enviados pelas gestoras à Securities and Exchange Commission (SEC), que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos.
Com US$ 64,5 bilhões em ativos, a Renaissance Technologies, de Jim Simons, multiplicou sua exposição ao Brasil no último trimestre de 2025. A gestora elevou a fatia no iShares MSCI Brazil ETF, fundo de índice com patrimônio de US$ 9,1 bilhões, para mais de US$ 22,4 milhões ao fim de dezembro, ante US$ 3,4 milhões no trimestre anterior, segundo documentos enviados à SEC neste mês. Ao longo dos anos, Simons tem sido uma exceção em Wall Street e investido no Brasil em diferentes empresas.

Ações de empresas brasileiras se beneficiam da rotação global de investimentos estrangeiros em meio às políticas do presidente dos EUA (na foto, operador da Bolsa de Nova York em 9 de fevereiro) Foto: Spencer Platt/AFP
Outra gestora que ampliou a aposta no Brasil foi a do investidor americano Stanley Druckenmiller, que administra mais de US$ 4 bilhões. A Duquesne Family Office comprou cerca de 3,5 milhões de cotas, equivalentes ao montante de US$ 112,8 milhões no iShares MSCI Brazil ETF no fim de dezembro de 2025. Além disso, a gestora adquiriu US$ 134,3 milhões em opções de compra (calls) do EWZ, principal fundo de índice brasileiro negociado nos EUA.
Otimismo cauteloso
Para analistas que acompanham o Brasil em Nova York, há um otimismo cauteloso com o mercado brasileiro, que está se beneficiando da rotação global de investimentos estrangeiros em meio às políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que têm enfraquecido o dólar.
Ainda assim, não há um grande volume de recursos a caminho do País. “O Brasil está dentro dessa toada um pouco mais geral, que é mais favorável a mercados emergentes”, avalia o diretor de macroeconomia para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos.
O estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, diz que investidores americanos mantêm um sentimento positivo sobre a Bolsa brasileira, após passar uma semana em reuniões nos EUA.
Segundo ele, a mesma percepção se repetiu em recente rodada de conversas na Europa. “No entanto, também observamos um certo desconforto com os níveis de valuation e preços após a recente alta do EWZ”, afirma, em relatório a clientes. O ETF do Brasil registra ganhos de quase 20% neste ano.
O principal ponto de atenção dos investidores estrangeiros é a esperada queda da taxa de juros no Brasil, prevista para março, enquanto a corrida ao Planalto fica em segundo plano, segundo gestores.
Pressão por um ajuste fiscal
Independentemente de quem vença as eleições, a pressão por um ajuste fiscal que contenha o aumento da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) permanece forte.
A Fitch Ratings reiterou que uma eventual melhora na nota de crédito do País depende de um plano fiscal crível no médio prazo. Atualmente, o Brasil tem rating “BB”, com perspectiva estável, dois degraus abaixo do grau de investimento.
Investidores de Wall Street também ajustaram as posições em empresas brasileiras. Enquanto a Renaissance Technologies ampliou a exposição ao Nubank, a asset de Stanley Druckenmiller zerou sua participação.
A gestora de Jim Simons detinha 22,735 milhões de ações da fintech ao fim de dezembro, equivalentes a US$ 380,607 milhões, ante 16,040 milhões em setembro, correspondentes a US$ 256,816 milhões.
Por outro lado, a gestora de Simons diminuiu sua aposta no Itaú Unibanco, cuja participação caiu quase pela metade no quarto trimestre de 2025 ante o terceiro, para US$ 61 milhões, e também na Petrobras. No caso da petroleira, a asset se desfez de parte dos papéis com e sem direito a voto. Já a Bridgewater Associates, de Ray Dalio, fez uma leve redução na fatia que detém na Vale.
Em um outro movimento de maior aposta no Brasil, a Renaissance Technologies também ampliou sua participação na Brazil Potash, empresa canadense dona da Brasil Potássio, que tem o projeto de uma mina na Amazônia. Com isso, a fatia avançou para US$ 282 milhões no fim de dezembro último ante US$ 226,834 milhões em setembro de 2025.
Enquanto isso, bilionários como Soros, Warren Buffett, Bill Ackman e Carl Icahn têm preferido ficar de fora das aplicações brasileiras. No lugar, eles que são considerados “gurus de Wall Street” seguiram apostando no excepcionalismo americano, em especial, nas big techs, às vésperas de um novo movimento de diversificação de investimentos globais em meio às políticas de Donald Trump.
Aos 95 anos, o oráculo de Omaha, que se aposentou do cargo de CEO da Berkshire Hathaway, mas segue no Conselho, costuma dizer que não vivenciou um único momento em que fizesse sentido apostar contra a economia americana.
Antes de Buffett passar o bastão para Greg Abel, no início de 2026, sua gestora fez um aporte de US$ 350 milhões no jornal The New York Times. Trata-se de uma reviravolta na política da Berkshire Hathaway, que em 2020 se desfez de todos os investimentos que mantinha no setor.
A Pershing Square Capital, de Bill Ackman, revelou um investimento de quase US$ 2 bilhões na Meta, dona do Facebook, no fim de 2025 e ampliou sua fatia na Alphabet, dona do Google, a despeito das preocupações com elevadas despesas de capital em projetos de inteligência artificial (IA). Por sua vez, a gestora de Soros cortou sua fatia na Alphabet, mas reforçou a aposta em nomes como Apple e Uber.
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







