Fraudes do Banco Master foram similares ao Cruzeiro do Sul e Econômico, diz diretor do BC à PF

Ailton de Aquino prestou depoimento no dia 30 de dezembro. Crédito: Imagens: STF

BRASÍLIA – Os pedidos de indenização com alegações de supostos erros ou crimes cometidos pelo Banco Central em processos de liquidação de bancos somam R$ 17 bilhões, segundo apurou o Estadão/Broadcast. Os números consideram duas instituições liquidadas pela autoridade monetária: Banco Cruzeiro do Sul e o Banco Ipiranga, que recorreram à Justiça alegando prejuízos. Os processos ainda estão em andamento.

As autoridades brasileiras estão há meses atentas ao risco de o dono do Master, Daniel Vorcaro, pedir na Justiça uma indenização. O processo instaurado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar se houve “precipitação” na liquidação já era visto como sensível. Se a ação constatasse alguma falha na supervisão do BC, poderia abrir espaço para o pagamento de uma bolada ao banqueiro, como mostrou o Estadão.

O tema é particularmente sensível porque um eventual ressarcimento ao banqueiro seria feito com recursos públicos – com impacto na imagem do governo e do próprio BC. Por isso, a autoridade monetária buscou ter segurança do processo antes de decretar a liquidação das instituições, inclusive para minimizar a possibilidade de eventuais questionamentos na Justiça avançarem.

Na semana passada, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a autarquia conduziu um trabalho de diligência “bem fundamentado” até chegar à liquidação do Banco Master, inclusive por meio de coordenação com o FGC para impor restrições e mitigar riscos.

“Graças a esse trabalho coordenado junto com o FGC, foi possível constituir um processo bem preparado de rejeição da compra pelo BRB (Banco de Brasília) e também do voto de liquidação do Master”, disse o banqueiro central na ocasião.

Casos

O maior pedido de indenização em tramitação, de R$ 11 bilhões, é do Banco Cruzeiro do Sul, que sofreu intervenção em 2012 e terminou liquidado no mesmo ano, após identificação de fraudes.

A instituição moveu um processo contra o FGC, que atuou como seu administrador durante um Raet, alegando prejuízos por supostos ilícitos no período. Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o BC passasse a integrar o processo como réu.

Em um depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro do ano passado, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, comparou as fraudes identificadas pelo BC no Banco Master ao caso do Cruzeiro do Sul. A autoridade monetária identificou que o Master teria vendido R$ 12,2 bilhões em créditos falsos ao BRB. O caso foi comunicado ao Ministério Público Federal (MPF) e deu origem à Operação Compliance Zero.

“O caso aqui em tela, em apreço, é muito similar ao Cruzeiro do Sul. O Cruzeiro do Sul também girou créditos inexistentes; e nós, aplicando, técnicas de auditoria, identificamos casos concretos de emissão. Tanto que a técnica do Cruzeiro do Sul, como a central de risco de crédito, pegava crédito acima de R$ 5 mil; ele girou créditos de R$ 4,9 mil e alguma coisa. Ou seja, e aí, o mesmo time que fez o trabalho do Cruzeiro do Sul fez esse trabalho. A técnica é muito parecida”, relatou Aquino aos investigadores.

Outro caso no radar é do Banco Ipiranga, que foi liquidado ainda na década de 1970 e cuja indenização pode chegar a R$ 6 bilhões. Os advogados alegam que o BC “destruiu” o grupo financeiro por meio de intervenção e liquidação. O STJ já chegou a condenar a autoridade monetária ao pagamento de indenização, mas os valores não foram definidos. Ambos os processos ainda correm na Justiça.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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