O Brasil enfrenta um momento decisivo para sua saúde financeira, com o endividamento público voltando a ser a principal preocupação de investidores e analistas do mercado financeiro global.

Especialistas alertam que o próximo governo terá pouco tempo para implementar mudanças profundas, já que o modelo de aumentar impostos para equilibrar as contas parece ter chegado ao fim.

A necessidade de focar no corte de despesas tornou-se urgente diante de um cenário internacional menos favorável e juros elevados, conforme divulgado pelo Estadão.

O desafio de conter a dívida pública brasileira

A situação fiscal do País está no radar há mais de uma década devido ao elevado nível de endividamento para uma economia emergente. Projeções indicam que a dívida bruta deve fechar o ano em 83,2% do PIB.

Segundo economistas consultados pelo Banco Central, esse número pode ser ainda mais alarmante no futuro, com previsões de que a dívida alcance 99,8% do Produto Interno Bruto (PIB) até o ano de 2035.

Fim do ciclo de aumento de arrecadação

Nos últimos anos, o Brasil buscou equilibrar as contas focando no aumento da receita, mas especialistas afirmam que esse caminho se esgotou. A partir de 2027, o foco obrigatório deverá ser o lado das despesas.

“O Brasil precisa de, pelo menos, um ajuste de quatro pontos porcentuais do PIB. Isso dá mais ou menos R$ 500 bilhões”, afirma Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX, sobre a necessidade de agir rápido.

Para Barros, o próximo governo não terá espaço para demoras, precisando tomar medidas no estilo D+1, ou seja, logo no primeiro dia de gestão, para evitar uma deterioração ainda maior da confiança do mercado.

Impacto dos juros globais no Brasil

A mudança de postura dos bancos centrais globais, como o Federal Reserve (Fed), trouxe novos desafios. Com os juros altos nos Estados Unidos e Europa, investidores tornam-se muito mais seletivos e cautelosos.

Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, destaca que, sem um sinal claro de compromisso fiscal, a curva de juros pode piorar e o câmbio pode sofrer uma depreciação ainda mais acentuada no curto prazo.

“O governo que chegar não pode demorar muito para dar esse sinal. Tem de chegar, acomodar a equipe e, no final do primeiro trimestre, já sinalizar a agenda”, reforça a economista sobre a urgência do ajuste fiscal.

Agenda necessária e medidas impopulares

A lista de medidas para consertar as contas públicas é conhecida, mas polêmica. Ela inclui a revisão de benefícios sociais, mudanças nos pisos de saúde e educação, além do combate aos chamados supersalários.

O cenário de incerteza já afeta o Tesouro Nacional, que precisou cancelar leilões de títulos recentemente. O mercado exige retornos maiores para financiar a dívida, o que encarece o custo de vida para todos os brasileiros.

Enquanto o mundo lida com a inflação de energia e os efeitos de guerras, o Brasil precisa provar que consegue manter sua casa em ordem para atrair investimentos e garantir um crescimento sustentável nos próximos anos.

A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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