O senador Flávio Bolsonaro tem encontrado barreiras significativas para consolidar sua influência política no Nordeste, região que se mantém como o principal reduto eleitoral do PT. Com o calendário das convenções se aproximando, a articulação do PL enfrenta impasses que podem comprometer os planos nacionais do partido.

A ausência de nomes competitivos em estados estratégicos e o distanciamento de antigos aliados acendem o alerta na cúpula bolsonarista. O cenário é complexo, especialmente em uma área onde o governo federal garantiu uma frente de 12,6 milhões de votos na última disputa presidencial.

As dificuldades envolvem desde rachas internos na família Bolsonaro até a preferência de lideranças locais pelo pragmatismo do chamado Centrão, que evita nacionalizar as disputas estaduais, conforme divulgado pelo portal Notícias ao Minuto.

Os obstáculos de Flávio Bolsonaro no Nordeste brasileiro

Faltando pouco tempo para as definições partidárias, o campo liderado por Flávio Bolsonaro segue sem candidatos definidos aos governos de Pernambuco, Ceará, Maranhão e Alagoas. Essa vacância reflete a dificuldade de construir palanques sólidos em locais dominados por alianças lulistas.

No Ceará, a situação é agravada por um conflito interno exposto publicamente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou o enteado em vídeo, relatando ter sido maltratada ao telefone após defender uma aliança com Eduardo Girão, do Novo, em oposição à estratégia pragmática de Flávio.

Enquanto Flávio defende uma união com o PSDB no estado, o ex-ministro Ciro Gomes sinaliza distância. Em declaração à imprensa, Ciro questionou sua participação em atos de outras legendas, afirmando: “Eu sou do PSDB, como é que eu vou participar de um ato de campanha que não é o do meu partido?”

Alianças frágeis e o avanço do pragmatismo local

No Maranhão, o cenário também é desfavorável. O PL local, sob comando de Josimar de Maranhãozinho, declarou apoio a nomes ligados a Lula para o Senado. Lideranças como Eduardo Braide também evitam atrelar suas imagens ao cenário nacional, focando em questões regionais para evitar desgastes.

Em Pernambuco, a legenda desistiu da disputa majoritária para focar no Legislativo. Anderson Ferreira, que concorreu ao governo em 2022, optou pela disputa à Câmara Federal, destacando que a direita tem sido determinante em vitórias passadas, mas sem lançar um nome próprio ao governo agora.

Na Bahia, a aliança com ACM Neto ocorre sob tensão. O ex-prefeito de Salvador mantém uma estratégia de distanciamento de Flávio Bolsonaro, priorizando o apoio a Ronaldo Caiado e evitando subir no palanque bolsonarista para não afastar eleitores que simpatizam com o governo federal.

A resistência do Centrão e a estratégia de dupla velocidade

Para o cientista político Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí, a dificuldade reside no comportamento fisiológico das lideranças. “Para o interior e para as estruturas partidárias estaduais, o que manda é o pragmatismo muito específico, muito fisiológico do chamado Centrão”, explica.

Segundo o especialista, o Nordeste vive uma geografia de dupla velocidade. Enquanto o lulismo segue hegemônico no interior, o bolsonarismo cresce em centros urbanos. Ele ressalta que, apesar do domínio petista, o teto de aceitação da direita na região apresentou um crescimento notável nos últimos anos.

Os únicos estados com palanques mais estruturados para o senador são a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Nestes locais, nomes como Efraim Filho e Álvaro Dias assumiram o protagonismo da oposição, tentando capitalizar pautas conservadoras e de segurança pública para desafiar a hegemonia da esquerda.

A fonte original desta notícia é o portal Notícias ao Minuto Brasil, disponível em: Notícias ao Minuto.

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