A Cosan e a Shell divergem sobre a reestruturação da Raízen, empresa que co-possuem. A Cosan propõe uma cisão dos negócios de etanol e distribuição, enquanto a Shell prefere manter a estrutura integrada. A Shell comprometeu-se a investir R$ 3,5 bilhões, esperando que a Cosan contribua proporcionalmente. A Cosan, no entanto, planeja um aporte menor e condiciona sua participação à divisão dos negócios. Credores estão preocupados com a exclusividade do BTG Pactual na compra das operações de distribuição.

A Cosan e a Shell têm divergências quanto à reestruturação da Raízen, empresa na qual são sócias. As diferentes formas de enxergar a solução para os problemas da companhia podem levar o grupo de Rubens Ometto, que tem o BTG Pactual como sócio desde o ano passado, a voltar atrás na capitalização da companhia de renováveis, apurou a Coluna.

A Cosan defende uma solução que, em sua visão, seria definitiva e prevê a reestruturação de um passivo fiscal e a cisão dos negócios de etanol e distribuição, afirmou uma fonte que acompanha as negociações. Já a Shell, acrescenta a mesma fonte, defende uma reestruturação mais simples, na qual não há discussão sobre o negócio de distribuição, que ficaria eventualmente para o futuro.

Na visão desta fonte, a proposta da Shell deixaria a Raízen sujeita à necessidade de uma segunda reestruturação no futuro. Nesta terça-feira, o presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que a companhia se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões na Raízen, como adiantou a Broadcast, e espera que Cosan contribua de forma proporcional. O executivo afirmou que as duas propostas, de manter a companhia integrada ou separá-la em duas áreas, estão na mesa, mas que a Shell prefere a primeira alternativa, julgando “alto” o risco de implodir a estrutura de dívida antes de estabilizar o balanço.

Cosan estaria disposta a aportar R$ 1 bi

Na prática, a Cosan já não deve chegar nem perto do aporte prometido pela Shell. A holding de Ometto colocaria R$ 1 bilhão no negócio, com recursos vindos do BTG, e o sócio fundador complementaria o montante com R$ 500 milhões. Outra fonte ouvida pela reportagem afirma que as conversas entre os sócios têm acontecido diariamente e que não há indisposição da Shell em negociar, mas que há limites nos dois lados. Com um aporte muito maior do que o da sócia, a Shell também faz suas exigências.

No entanto, para a Cosan a divisão dos negócios seria impreterível para que o grupo participasse do aporte, além da renegociação do passivo fiscal. O plano da Cosan seria de que o aporte envolvesse cerca de R$ 8 bilhões, seguido por uma oferta subsequente de ações de outros cerca de R$ 5 bilhões. Essa estrutura, também daria ao BTG Pactual participação relevante no negócio de distribuição. “É preciso injetar capital no sistema, para reestruturar os negócios de etanol e distribuição”, acrescenta a fonte.

Essa é uma discussão que acontece há 12 dias, de acordo com o interlocutor a par das discussões. “O ‘decision maker’ é a Shell, porque eles são os donos da marca e decidem quem pode ou não pode usar a marca, portanto, a Cosan respeita a decisão deles, mas não deverá participar do aporte porque não deve colocar dinheiro onde entende que não será recompensada”, afirmou a fonte.

Para esse interlocutor, a consequência de um caminho “solo” da Shell seria a busca da diluição da participação da Cosan na Raízen. Do ponto de vista de dívida, a Cosan já recomprou títulos de dívida da Raízen que tinham cláusulas de vencimento antecipado de compromissos do grupo em caso de reestruturação da dívida da companhia de renováveis.

Cisão incomoda bancos credores

A questão sobre a cisão dos negócios tem incomodado também os bancos credores, que têm apertado os sócios da Raízen em torno do montante de uma prometida capitalização. Os credores externos, que têm R$ 27 bilhões em títulos emitidos pela Raízen no exterior, estão especialmente preocupados com a possibilidade de o BTG Pactual ter “exclusividade” na compra das operações de distribuição, uma vez que o banco é acionista da Cosan. Para eles, não há negociação se essa condição for mantida.

Eles defendem que haja uma “alternativa” para a Raízen na venda do negócio de distribuição, de modo que essa opção não fique somente nas mãos do BTG Pactual. “Os administradores e o conselho da Raízen têm o dever fiduciário de buscar a melhor solução e a melhor proposta, tem de haver espaço para isso”, afirmou uma fonte. Segundo esta fonte, a questão não é o BTG Pactual ou um acordo prévio com eles, mas é a ausência da possibilidade de a companhia aceitar uma proposta melhor para a companhia.

Procuradas, Shell e Cosan não comentaram.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 03/03/2026, às 18:31

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Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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