Uma investigação detalhada da Polícia Federal trouxe à tona revelações chocantes sobre o sistema financeiro nacional, envolvendo movimentações bilionárias e documentos falsificados.

O caso, que estava sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, aponta para uma série de irregularidades que colocam em xeque a gestão de grandes instituições bancárias do país.

A perícia confirmou a existência de fraudes massivas em operações realizadas nos últimos anos, conforme divulgado pelo Estadão.

Perícia da PF confirma fraude bilionária em transações bancárias

Uma perícia técnica da Polícia Federal, concluída em agosto deste ano, ratificou a ocorrência de crimes financeiros envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

De acordo com os investigadores, as fraudes alcançaram a marca de aproximadamente R$ 17 bilhões. O esquema contou com uma produção massiva de documentos falsos para mascarar as operações.

O relatório pericial integra os processos do Caso Master no STF. O sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça, que é o relator do caso na Corte, permitindo o acesso aos dados.

Gestão fraudulenta e compras acima do teto permitido

Os peritos criminais identificaram que a diretoria do BRB autorizou a compra de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito pertencentes ao Banco Master entre os anos de 2024 e 2025.

A análise técnica concluiu que o processo não foi apenas uma falha administrativa, mas sim uma prática de gestão fraudulenta, desenhada para contornar os controles internos do banco estatal.

Segundo a perícia, a conclusão não decorre do simples insucesso econômico ou de risco elevado, mas da utilização de expedientes para manter uma aparência de regularidade nas operações.

Das 25 operações analisadas, 21 foram realizadas exatamente no limite de R$ 750 milhões. Esse valor era o teto para que a diretoria aprovasse os gastos sem consultar o Conselho de Administração.

Exposição de risco extrema e alertas de liquidez ignorados

Em junho de 2025, a exposição do Banco Master dentro do BRB atingiu 90,31%. Isso indica que quase todos os ativos comprados pelo banco de Brasília vinham da instituição de Daniel Vorcaro.

Essa concentração financeira somou R$ 19,78 bilhões naquele período. O valor era mais de nove vezes superior à soma de todas as outras instituições que possuíam negócios com o BRB.

A perícia destacou que as negociações continuaram mesmo após 66 boletins de risco. Foram ignorados sucessivos alertas e 13 extrapolações graves do Índice de Liquidez de Curto Prazo.

Mesmo com relatórios internos apontando dados fictícios e falta de lastro nos ativos, o BRB ainda pagou R$ 5,2 bilhões ao Master após os primeiros sinais claros de irregularidades graves.

Diretores do BRB citados na investigação federal

A Polícia Federal apontou a participação de seis diretores do Banco de Brasília nas decisões. Entre os nomes citados estão Paulo Henrique Costa, presidente, e diretores de diversas áreas.

Também foram listados Cristiane Maria Lima Bukowitz, Dario Oswaldo Garcia Júnior, Luana de Andrade Ribeiro, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior.

A perícia foca na responsabilidade técnica dos envolvidos. Caberá à Justiça determinar se houve dolo ou culpa nas decisões que levaram à compra dos títulos considerados fraudados.

O BRB afirmou em nota oficial que é vítima de atos criminosos e que a nova gestão adotou medidas necessárias. A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro preferiu não comentar o assunto no momento.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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