O bolso do brasileiro está sentindo o peso das idas ao supermercado, com um aumento expressivo no custo de itens essenciais que compõem o prato feito diário do cidadão.

A pressão sobre os preços é liderada por legumes e grãos, que registraram altas em todas as regiões do país, refletindo diretamente nos índices oficiais de inflação do período.

Essa tendência de encarecimento contínuo tem sido impulsionada por fatores climáticos severos e custos logísticos elevados, conforme divulgado pelo Estadão.

O impacto da inflação dos alimentos no orçamento doméstico

De acordo com a Neogrid, “O aumento de 15,1% no preço médio dos legumes no mês passado foi o principal responsável pela pressão sobre a inflação dos alimentos no Brasil”.

Essa alta generalizada reforçou o encarecimento de itens da cesta básica e reduziu o poder de compra das famílias, sendo o sexto mês seguido de aumento no grupo de alimentos para consumo em casa.

O cenário é preocupante, pois o setor de alimentação respondeu por metade da inflação oficial medida pelo IPCA, evidenciando que o custo de vida básico está subindo de forma acelerada.

Legumes e itens básicos lideram a escalada

O preço médio do quilo de legumes avançou em todas as regiões, chegando a subir 18% no Sul. Outros produtos como feijão (+5,0%) e leite em pó (+9,0%) também registraram altas significativas.

Dados do IPCA de maio confirmam esse movimento, com o grupo de alimentação e bebidas subindo 1,33%. Os alimentos consumidos no domicílio tiveram a maior alta para meses de maio desde o ano de 2008.

Entre os vilões estão a batata-inglesa (44,69%), o tomate (20,62%) e a cebola (16,80%). A menor oferta desses produtos no mercado brasileiro contribuiu diretamente para a aceleração dos preços.

Clima e cenário internacional pressionam o IPCA

Analistas apontam que fatores como os preços internacionais do petróleo e o custo dos fertilizantes continuam a pressionar toda a cadeia produtiva de alimentos para os próximos meses.

Eventos climáticos, como o super El Niño, também afetaram a produção agrícola. A consultoria 4intelligence elevou a projeção de inflação de alimentos no domicílio de 3,7% para 7,7% este ano.

Segundo o gerente da pesquisa do IPCA, Fernando Gonçalves, a combinação entre custos de transporte elevados e menor oferta de alguns produtos ajudou a pressionar os preços finais ao consumidor.

O que ficou mais barato para o consumidor

Apesar da alta em itens frescos, alguns produtos industrializados registraram queda. Os preços de ovos (-6,5%) e café em pó (-2,5%) ficaram mais baratos, ajudando a amenizar o impacto total.

Para o executivo Marcelo Alves, “categorias industrializadas e algumas proteínas, como café, massas e suíno, devem seguir em trajetória mais estável ou deflacionária, sustentadas por maior competitividade”.

O óleo de soja também registrou queda de 0,9% no consolidado nacional. No entanto, o equilíbrio entre essas quedas e a pressão sobre os itens essenciais será determinante para o consumo no semestre.

Projeções de mercado indicam novos aumentos

As expectativas para a inflação seguem elevadas. No relatório Focus, a projeção para o IPCA de 2026 subiu pela 15ª semana consecutiva, atingindo 5,33%, bem acima do teto da meta estabelecida.

Como destaca o relatório do Banco Central, “O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo” no cenário global.

Para o consumidor, o cenário exige cautela e planejamento, já que o feijão acumula avanço de 26,5% desde o fim de 2025, o que reduz drasticamente a sobra de renda para outras despesas familiares.

A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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