A Polícia Federal revelou diálogos comprometedores entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), sobre operações suspeitas.
As mensagens detalham uma negociação para viabilizar uma fraude estimada em aproximadamente R$ 17 bilhões, envolvendo a compra de créditos podres e o pagamento de propinas milionárias em imóveis.
O sigilo do caso foi levantado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), expondo o nível de intimidade entre os envolvidos e as táticas usadas para burlar fiscalizações, conforme divulgado pelo Estadão.
Esquema bilionário entre Daniel Vorcaro e BRB sob investigação
Segundo as investigações da Polícia Federal, a fraude bilionária consistia na compra de créditos podres do Banco Master pelo BRB. Paulo Henrique Costa é acusado de receber R$ 146 milhões em propina.
As conversas mostram que, ainda em 2024, equipes do BRB identificaram problemas sérios em carteiras de crédito consignado. Mesmo assim, Daniel Vorcaro pediu ajuda para liquidar operações e cobrir rombos financeiros.
O ex-presidente do BRB demonstrou preocupação com as taxas de juros e a alta inadimplência, mas Vorcaro afirmou que daria um jeito para que Costa precisasse dar menos explicações dentro da instituição pública.
Ajustes de taxas para evitar fiscalização interna
Em um dos trechos, Daniel Vorcaro questionou como a operação ficaria favorável para o BRB. Costa sugeriu manter certas taxas para evitar questionamentos internos, e o dono do Master prontamente aceitou o ajuste.
A Polícia Federal destaca que eventuais perdas de Vorcaro seriam compensadas em negócios futuros, criando uma rede de favores que prejudicava o patrimônio do banco público em benefício de interesses privados.
O relatório policial indica que os dois agiam como parceiros de projetos de uma mesma associação organizada, cujo objetivo principal era facilitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília.
Estratégia de partir pro gol sem documentação
Em março de 2025, pouco antes do anúncio oficial da compra do Master pelo BRB, as mensagens mostram Vorcaro pressionando o parceiro para finalizar as transações, ignorando a falta de documentos básicos.
O empresário utilizou a expressão partir pro gol para convencer Costa a ignorar os requisitos técnicos. Ele sugeriu que a casa fosse arrumada depois, priorizando a conclusão imediata do negócio bilionário.
Para os investigadores, essa postura evidencia uma clara tentativa de persuasão para que o presidente do BRB realizasse operações financeiras temerárias, mesmo ciente das graves falhas documentais existentes.
Parceria para a vida e intimidade criminosa
A relação entre os dois ultrapassava o campo profissional. Em mensagens trocadas em agosto de 2024, Paulo Henrique Costa afirmou que eles estavam juntos para a vida, reforçando o vínculo pessoal entre eles.
Após o anúncio da compra do banco, Costa demonstrou interesse em visitar a sede do Master em São Paulo. Vorcaro respondeu de forma descontraída, dizendo para o colega sentir como se o banco fosse dele.
Atualmente, os dois estão presos e as defesas ainda não se manifestaram profundamente sobre o teor das mensagens. O caso segue sob análise do STF após a quebra de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | Mensagens entre Vorcaro e ex-BRB revelam negociação.







