O clima é de extrema urgência nos bastidores de Washington, onde o ministro canadense Dominic LeBlanc tenta, em uma corrida contra o relógio, selar um novo pacto econômico para o seu país.

Com o prazo final estipulado para a meia-noite desta sexta-feira, o governo canadense busca desesperadamente evitar a implementação de tarifas bilionárias que podem abalar setores estratégicos da economia.

A expectativa é que as conversas sigam até os últimos minutos, enquanto o mercado global aguarda os desdobramentos dessa queda de braço diplomática, conforme divulgado pelo Estadão.

Negociações para o acordo comercial entram em fase crítica

O ministro Dominic LeBlanc, encarregado de evitar as novas tarifas punitivas de Donald Trump, afirmou que ainda há muito trabalho a ser feito, faltando poucas horas para o fim do prazo estabelecido.

“Ainda temos trabalho a fazer. Nosso trabalho não acabou. Vamos continuar trabalhando até o último minuto”, declarou LeBlanc ao sair de reuniões com representantes da Casa Branca em Washington.

As discussões se concentram em resolver divergências profundas sobre a circulação de mercadorias, focando em um acordo comercial que possa trazer estabilidade após meses de incertezas e ameaças tarifárias.

Indústrias de aço e automóveis no centro do debate

Os pontos de maior atrito envolvem as tarifas sobre aço, alumínio e madeira, setores que Trump atingiu com taxas de até 50% no ano passado, gerando um forte impacto na balança comercial do Canadá.

Fontes indicam que os EUA podem reduzir a tarifa do aço para 25%, valor que ainda é o dobro do desejado pelos canadenses, gerando resistência interna das siderúrgicas americanas que temem a concorrência.

No setor automotivo, a proposta é reduzir a tarifa de 25% para 15%, com descontos baseados no uso de peças produzidas nos Estados Unidos, tentando equilibrar os interesses das montadoras de ambos os países.

Concessões polêmicas e pressão sobre Mark Carney

Para garantir o acordo comercial, o primeiro-ministro Mark Carney já sinaliza concessões, como a liberação da venda de bebidas alcoólicas americanas, que haviam sido proibidas em retaliação anterior.

Além disso, o Canadá pode abandonar a tributação sobre serviços de streaming e distribuição de notícias online dos EUA, medidas que foram criadas originalmente para proteger os produtores culturais canadenses.

O governador de Manitoba, Wab Kinew, expressou ceticismo sobre a necessidade de celebrar o acordo, sugerindo que os canadenses não precisam alimentar o ego de Trump para proteger os interesses nacionais.

Provocações diplomáticas e o estilo de negociação

A relação entre os líderes nunca esteve tão tensa, com Trump sugerindo a anexação do Canadá e o vice-presidente JD Vance ironizando a postura firme de Carney durante as reuniões privadas em Washington.

Vance afirmou em um evento privado que Carney chega às reuniões tentando parecer mais duro que Trump, mas, na visão do republicano, os canadenses acabam cedendo em quase todos os pontos fundamentais.

A fonte original é o Estadão.

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