O Brasil caminha para um cenário econômico desafiador nos próximos anos, com projeções que indicam uma desaceleração acentuada da atividade produtiva. Especialistas apontam que a combinação de juros elevados e incertezas fiscais deve ditar o ritmo do País.

José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica, avalia que o crescimento do Produto Interno Bruto pode ficar em apenas 1% em 2025. Ele destaca que a falta de produtividade é um entrave central para o desenvolvimento nacional.

Além dos números frios da economia, o especialista alerta para uma deterioração preocupante na governança pública e privada, criando um ambiente de insegurança, conforme divulgado pelo Estadão.

Entenda os riscos que podem paralisar a economia brasileira nos próximos anos

O cenário para o PIB e os juros elevados

Mendonça de Barros prevê um crescimento do PIB de apenas 1% para o próximo ano, mantendo uma tendência de queda. Segundo ele, o ano que vem será dificílimo, marcado por baixo crescimento e uma pressão inflacionária persistente.

A taxa Selic, mesmo com possíveis cortes pequenos, deve permanecer em patamares gigantescos, na casa de 13,75%. Esse nível de juros machuca as empresas e dificulta a rolagem de dívidas, levando muitos negócios ao caminho da recuperação judicial.

O fenômeno das bets e o impacto no consumo

O economista ressalta que as famílias de baixa renda enfrentam um aperto financeiro severo. Um fator novo nesse cenário é o impacto das apostas digitais, as chamadas bets, que drenam recursos que antes eram destinados ao consumo básico.

Muitas pessoas jogam na esperança de quitar dívidas, mas acabam reduzindo o volume de compras em supermercados. Essa dinâmica enfraquece o comércio e contribui para a desaceleração econômica percebida no segundo semestre deste ano.

Crise de governança e o jogo de rouba-monte

Para o especialista, a melhora da governança pública e privada é tão urgente quanto o ajuste fiscal. Ele utiliza a expressão jogo de rouba-monte para descrever o que acontece quando um país para de crescer e grupos tentam capturar recursos.

Isso está se tornando, junto com a questão fiscal, paralisante, afirma Mendonça de Barros. Ele cita a combinação de lobbies setoriais e estratégias de expropriação de dinheiro público como elementos que travam a produtividade brasileira hoje.

O futuro incerto do arcabouço fiscal

A situação das contas públicas gera grande apreensão, especialmente pela dificuldade de o Tesouro Nacional rolar a dívida pública. O economista acredita que o atual arcabouço fiscal fez água e precisa ser repensado urgentemente pelo governo.

O mercado de títulos demonstra desconfiança, com taxas de juros reais elevadas. Para ele, o sucesso de 2027 dependerá de como o governo tratará a consistência fiscal e o cumprimento rigoroso das leis de regulação e governança no País.

A fonte original desta notícia é o Estadão, que realizou a entrevista exclusiva com o economista sobre os rumos da economia nacional. Para ler o conteúdo completo, acesse o link original em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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