O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, descreveu o momento atual do Brasil como extremamente preocupante. Em declarações recentes, o economista destacou que o país parece estar sem um caminho claro para o desenvolvimento.

Segundo Fraga, o Brasil enfrenta uma crise que pode ser classificada como institucional, algo que tem frustrado as expectativas da população há um longo período. A análise foi realizada durante um evento da escola de formação política RenovaBr.

O especialista ressaltou a falta de rumo no planejamento do país, conforme divulgado pelo Estadão.

O desafio de retomar o crescimento

Fraga lembrou que, desde 1995, o crescimento médio do Produto Interno Bruto per capita brasileiro tem sido inferior ao dos Estados Unidos. Ele reforçou que, por ser uma nação mais pobre, o Brasil deveria apresentar retornos mais acelerados.

Para o ex-presidente do Banco Central, o país tem potencial para crescer três vezes mais rápido nas próximas duas décadas. No entanto, isso exige uma superação rigorosa de gargalos políticos e a definição de prioridades claras.

A captura do Estado por grupos de interesse

Um dos pontos principais citados pelo economista é a chamada captura do Estado por grupos de interesse. Fraga pontuou que o Brasil sofre com a falta de qualidade na gestão pública e com um grave problema de prioridades políticas.

Ele enfatizou que o gasto com a Previdência, no formato atual, é considerado inviável. Além disso, o especialista apontou que a segurança pública e os níveis de corrupção são desafios intoleráveis que impedem o avanço institucional necessário.

A necessidade de um ajuste fiscal consistente

O economista defendeu que um ajuste fiscal é indispensável para que o governo consiga repensar suas metas e ações. Fraga acredita que esse ajuste deve ir além da simples busca por juros menores, abrangendo uma reestruturação do Estado.

Ele criticou a atual política monetária, descrevendo-a como esquizofrênica. Segundo ele, o Banco Central trabalha para conter a inflação, mas encontra pouco apoio na coordenação macroeconômica, o que acaba anulando parte dos esforços de controle financeiro.

Críticas à coordenação econômica

Fraga reconheceu que Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, atua em circunstâncias muito adversas. Embora o Banco Central possua independência operacional, o economista argumenta que esse desenho institucional perde sua força sem alinhamento.

O ex-presidente do órgão encerrou alertando que o debate público precisa ser mais qualificado. Para ele, o foco em questões institucionais é o único caminho para que o Brasil saia do estado de paralisia atual e retome o desenvolvimento.

A fonte original é o Estadão: https://www.estadao.com.br/economia/arminio-fraga-momento-e-preocupante-porque-mostra-pais-meio-perdido-e-sem-caminho-claro/

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