A Gol prepara um movimento estratégico de olho na concorrência do setor. A empresa deve solicitar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a sua inclusão como terceira interessada na operação entre Azul e American Airlines.

O processo, que tramita na Superintendência-Geral do órgão antitruste, avalia a aquisição de participação societária pela companhia norte-americana na brasileira. A movimentação foi notificada ao Cade no início de abril, conforme divulgado pelo Estadão.

Este pedido ocorre em um momento de atenção redobrada do mercado, após a United Airlines ampliar sua fatia na Azul. O caso agora segue sob análise das autoridades para verificar a legalidade e os impactos dessa estrutura societária no Brasil.

Entenda as suspeitas de irregularidades na operação

Além da Gol, o Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo) também solicitou participação no caso. O instituto aponta indícios de gun jumping, que é a consumação prematura de uma fusão antes da aprovação final pelo Cade.

Entre os pontos levantados pelo instituto, destaca-se a eleição de um executivo da American Airlines para o conselho da Azul. Além disso, há citações sobre contratos de subscrição de ações e declarações públicas que sugerem influência estratégica prévia.

Possíveis sanções e o papel do Cade

O Cade tem a responsabilidade de verificar se as empresas descumpriram normas regulatórias. Caso a integração antecipada seja confirmada, o órgão pode aplicar sanções severas, incluindo multas administrativas significativas para as companhias envolvidas no acordo.

A Azul, por outro lado, mantém sua posição nos autos do processo. A empresa argumenta que as negociações com a American Airlines ocorrem de forma independente e que os termos da operação ainda seguem em um cenário de incertezas durante a análise.

Histórico e alertas sobre governança

Quando o Cade aprovou o aumento da fatia da United Airlines na Azul, em fevereiro, o relator Diogo Thomson impôs ressalvas de governança. O órgão já sinalizava que a chegada da American Airlines exigiria uma análise concorrencial muito mais rigorosa.

O relator destacou que o cenário do setor aéreo pode ser substancialmente alterado com a nova estrutura. Medidas mitigadoras poderão ser exigidas pelo conselho como condição obrigatória para que a entrada da companhia norte-americana seja finalmente autorizada.

A fonte original é o Estadão, disponível em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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