O Brasil vive hoje um desafio numérico que resume sua posição no cenário internacional. Atualmente, o país responde por cerca de 3% do Produto Interno Bruto mundial, mas detém apenas 1% das exportações globais.
Essa diferença entre o potencial produtivo e o que efetivamente entregamos ao mundo impulsiona o debate sobre a geopolítica da competitividade. O objetivo é entender como o país pode aproveitar suas vantagens naturais para crescer.
Especialistas indicam que a mudança climática deixou de ser uma obrigação reputacional para se tornar o critério central de grandes investimentos em todo o mundo, conforme divulgado pelo Estadão.
A transição para a nova geopolítica da competitividade
O cenário econômico global está em transformação profunda. Segundo o economista Eduardo Giannetti, o longo ciclo de hiperglobalização iniciado nos anos 80 chegou ao fim, impactado por crises financeiras e guerras tarifárias recentes.
Nesta nova fase, o mundo troca a busca pelo menor custo pela lógica da segurança. Isso significa priorizar a estabilidade do fornecimento, a tecnologia e a resiliência contra crises, o que abre uma janela de oportunidade para o Brasil.
O embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor da OMC, afirma que o mundo atual é organizado pelo poder, não apenas por regras. Para ele, não basta ter recursos, o Brasil precisa ser indispensável para as outras nações.
Os três grandes gargalos do desenvolvimento nacional
Para alcançar essa indispensabilidade, o país precisa enfrentar problemas históricos. O primeiro deles é a educação, fundamental para formar profissionais capazes de atuar em uma economia global cada vez mais sofisticada e tecnológica.
O segundo ponto é a infraestrutura, necessária para reduzir os custos logísticos. Por fim, o equilíbrio fiscal é visto como essencial para garantir a previsibilidade que os investimentos de longo prazo exigem para maturar.
André Corrêa do Lago, presidente da COP-30, ressalta que o tema ambiental agora é uma pauta econômica. Segundo ele, a implementação de medidas climáticas agora é tarefa direta dos ministérios da Fazenda e da Economia.
Sustentabilidade como garantia de continuidade
Uma das vozes mais experientes no assunto, o britânico Lord Deben, sugere que as empresas parem de falar apenas em sustentabilidade e comecem a focar na continuidade, garantindo que o negócio sobreviva nas próximas décadas.
Para ele, a pergunta central para os empresários não é mais se eles desejam ser sustentáveis, mas se pretendem continuar existindo daqui a 50 anos. A mudança do clima é uma certeza estratégica, não uma dúvida a ser adiada.
O Brasil ocupa uma posição singular nesse contexto por ter uma matriz elétrica renovável e grande biodiversidade. No entanto, essas vantagens precisam de escala, capital e uma visão de Estado que ultrapasse ciclos eleitorais.
Compromissos práticos para o crescimento do país
O CEBDS tem trabalhado para transformar esse potencial em execução real através da Carta aos Presidenciáveis. O documento apresenta propostas concretas, como a redução do desmatamento e a criação do mercado de carbono.
Das propostas anteriores, cinco já foram cumpridas e outras avançaram, como o plano de transição energética. O lema atual reforça que o Brasil que cuida do seu planejamento é o mesmo que consegue crescer economicamente.
O grande desafio agora é dar escala aos esforços de descarbonização em setores como transporte e agricultura. O país possui os ativos que o mundo procura, restando apenas transformar esse potencial em decisões estratégicas e execução técnica.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode ler a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.






