O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com números impressionantes, impulsionado pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. As incorporadoras listadas em bolsa somaram mais de R$ 55 bilhões em receita líquida, um crescimento de 20% frente ao ano anterior, embora a dívida do setor também tenha aumentado.
Analistas destacam que o segmento de alto padrão mostrou maior resistência, enquanto o médio e baixo renda sentiram o impacto dos juros elevados. O programa habitacional, especialmente a nova Faixa 4, ampliou o poder de compra da classe média, favorecendo lançamentos de até R$ 600 mil.
Dados coletados do Estadão revelam que empresas como Cury, Plano&Plano, Tenda, Cyrela, Moura Dubeux e JHSF registraram lucros recordes, lançamentos bilionários e estratégias de expansão diversificadas, mas também enfrentam compressão de margens e necessidade de ajustes financeiros.
Recordes no segmento econômico
Recordes no segmento econômico
A Cury, com 95% do portfólio no MCMV, fechou 2025 com lucro líquido de R$ 975,5 milhões e margem de 18,1%. “Com a criação da Faixa 4, observamos uma ampliação do poder de compra e na aquisição de imóveis pela classe média”, afirma Leonardo Mesquita, co‑CEO.
O VGV lançado chegou a R$ 8,3 bilhões, com 16,7 mil unidades produzidas e um banco de terrenos de R$ 24,6 bilhões. A XP destaca que a Cury gera caixa sem vender recebíveis, mantendo ROE acima de 70%.
Plano&Plano também bate recorde, registrando lucro líquido de R$ 361,5 milhões, VGV acima de R$ 5 bilhões e mais de 42 mil unidades em construção. João Hopp, VP executivo, ressalta a adoção de novas ferramentas digitais na jornada de compra.
A Tenda alcançou lucro líquido de R$ 505,7 milhões, crescimento de 375,2% em relação a 2024, com 20 mil unidades construídas e 45 projetos lançados. “O MCMV é um pilar estrutural do nosso negócio”, afirma Luiz Maurício Garcia, CFO.
O dinheiro do alto padrão
A Cyrela registrou receita líquida de R$ 9,4 bilhões, alta de 18%, e margem bruta de 32,6%. Lançou 74 projetos, 73% deles de alto padrão, e obteve lucro líquido de R$ 2 bilhões.
Altero, da XP, explica que compradores de alto padrão são menos sensíveis a juros, buscando qualidade e marca. Moura Dubeux, líder no Nordeste, reportou R$ 2,4 bilhões em receita líquida e lucro de R$ 420 milhões, com VGV de R$ 4,6 bilhões.
JHSF transformou seu modelo, vendendo R$ 5,2 bilhões de ativos para um FII, reforçando o capital e focando em projetos como Shopping Cidade Jardim e expansão hoteleira internacional.
Resiliência do setor e adaptações de mercado
Incorporadoras de médio padrão, como Eztec, Melnick e Trisul, ampliaram atuação no segmento econômico. A Direcional, com a linha Riva, registrou VGV lançado de R$ 3,1 bilhões, representando 44% dos lançamentos.
A Mitre reverteu endividamento, entregando 2,1 mil unidades e lucro líquido de R$ 53,7 milhões, enquanto a MRV concluiu seu turnaround, alcançando lucro ajustado de R$ 611 milhões e receita operacional de R$ 10,1 bilhões.
Perspectivas para o mercado imobiliário
Especialistas apontam que o recorde de 2025 foi sustentado pelo MCMV e pelo alto padrão, mas alertam para risco de excesso de oferta em 2026. A classe média permanece o maior desafio, exigindo estratégias de preço e volume mais eficientes.
“As maiores oportunidades estão no segmento econômico, sustentado pelos incentivos de programas habitacionais”, conclui Ygor Altero, analista‑chefe da XP.
Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







