A nova dinâmica da política comercial americana
As recentes propostas de taxação dos Estados Unidos contra o Brasil possuem um objetivo estratégico que vai muito além de disputas isoladas. Segundo o embaixador Rubens Barbosa, o movimento busca repor tarifas anuladas pela Justiça e fortalecer a economia norte-americana.
A ofensiva responde a uma tentativa de substituir o chamado tarifaço de 40%, imposto no ano passado e posteriormente considerado inconstitucional pela Suprema Corte dos EUA. Conforme divulgado pelo Estadão, o cenário atual reflete uma manobra de longo prazo.
O governo americano utiliza investigações sobre práticas comerciais para contornar barreiras jurídicas anteriores. A medida também atua como um escudo para proteger a indústria local frente à crescente hegemonia econômica da China no mercado global.
Substituição de tarifas após veto judicial
Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA anulou uma medida que impunha tarifas generalizadas, entendendo que o presidente havia abusado da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Para contornar a decisão, o governo adotou a Seção 301.
Este instrumento jurídico permite ao Escritório do Representante Comercial dos EUA investigar e punir nações acusadas de práticas desleais. Com isso, os EUA propuseram taxas de 25% e 12,5%, que, somadas, equivalem ao patamar tarifário anterior, derrubado pelo tribunal.
O impacto da investigação sobre o Brasil
O Brasil enfrenta pedidos de taxação baseados em temas como a agenda digital, o uso do Pix e questões relacionadas ao desmatamento. O embaixador Rubens Barbosa ressalta que o país apresentou argumentos que foram desconsiderados pela gestão atual.
“A investigação sobre trabalho forçado abrangeu 60 países”, destaca Barbosa. Para o especialista, a intenção do governo norte-americano é puramente matemática e estratégica, tornando pouco provável a reversão das medidas durante o período de consultas públicas.
Alcance global e proteção das Big Techs
O Brasil não é o único alvo dessa política comercial agressiva. União Europeia, Reino Unido e Índia também sofreram sanções por criarem impostos sobre serviços digitais, que impactam diretamente gigantes como Google e Apple.
Além disso, o USTR iniciou uma investigação massiva contra 16 países, incluindo Japão e México. O foco central é conter o excesso de capacidade de manufatura internacional, que, segundo o governo Trump, ameaça a geração de empregos nos Estados Unidos.
A Seção 301 como ferramenta de punição
A escolha pela Seção 301 ocorre por ser um modelo de punição individual baseada em relatórios, e não um imposto geral de emergência. Isso confere ao governo americano maior base legal para sustentar as taxas perante o judiciário local.
Essas tarifas permanecem sob consulta pública até o dia 15 de julho. A estratégia, portanto, consolida a tentativa de reformular as relações comerciais globais sob a premissa de segurança nacional e protecionismo industrial. A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







