O custo para aceitar benefícios de alimentação está pesando cada vez mais no bolso dos donos de restaurantes brasileiros. Mesmo com regras rígidas impostas pelo governo federal, os valores cobrados pelas operadoras continuam subindo de forma inesperada.

A situação gera um alerta para o setor de serviços, que esperava um alívio financeiro com as novas regulamentações. O cenário atual mostra que a economia real está seguindo um caminho oposto ao que foi planejado pelas autoridades nacionais.

Uma pesquisa recente detalha como essa alta afeta diretamente o preço final da comida e a saúde financeira dos pequenos negócios de bairro, conforme divulgado pelo Estadão com base em dados da Ipsos-Ipec.

O aumento real na taxa de vale-refeição e o descumprimento do teto

Mesmo após o governo estabelecer um limite para a taxa de vale-refeição cobrada dos restaurantes, o custo médio do benefício subiu de 5,19% para 6,18% em apenas um ano. Esse valor ignora o teto regulamentado.

O decreto do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), em vigor desde o início deste ano, determinou que essa taxa deveria ser de, no máximo, 3,6%. O objetivo era baratear a comida e melhorar o lucro dos locais.

No entanto, o que se observa é um crescimento de quase um ponto porcentual. Atualmente, o custo para aceitar o vale-refeição é cerca de 1,7 vez maior do que a taxa média cobrada pelas operadoras de cartões de crédito.

Pequenos estabelecimentos são os mais afetados pela alta

O impacto é ainda mais significativo entre os pequenos negócios. Nos restaurantes com faturamento mensal de até R$ 30 mil, a taxa de vale-refeição saltou de 4,79% para 6,44%, um crescimento acima da média geral do mercado.

Entre as regiões analisadas, a cidade de São Paulo apresentou a maior taxa média descontada, chegando a impressionantes 8,62%. Isso mostra que a capital paulista enfrenta os custos mais elevados para manter o benefício.

Cerca de 58% dos empresários entrevistados afirmam que não notaram mudanças positivas após as novas regras. Outros 27% foram além e declararam que perceberam um aumento real nos custos operacionais nos últimos meses.

Comparação com Pix e cartões de débito e crédito

Os dados confirmam que o ticket continua sendo o meio de pagamento mais caro para os estabelecimentos. Enquanto o Pix é a alternativa mais econômica, com taxa de 1,06%, o vale-refeição atinge a marca de 6,18%.

O cartão de débito registra uma média de 1,77% e o crédito fica em 3,62%. Fica evidente que a modalidade de alimentação e refeição permanece como o maior gargalo financeiro para quem serve refeições diariamente.

Essa diferença de custos acaba sendo repassada, em muitos casos, para o consumidor final. Para manter a margem de lucro, os restaurantes precisam ajustar os preços dos pratos, impactando diretamente o orçamento do trabalhador.

A reação do setor e a cobrança por fiscalização rigorosa

Para a Associação Nacional de Restaurantes (ANR), os resultados reforçam a necessidade de fiscalização. Fernando Blower, presidente da entidade, afirma que o governo não está inerte, mas que é preciso cobrar o cumprimento das leis.

Segundo Blower, “Não estamos olhando para o restaurante somente. Para podermos ofertar bons preços e comidas de qualidade, precisa ter uma cadeia de custos equilibrada, equalizada. Hoje, o vale-alimentação está sendo superfaturado, ilegalmente”.

O setor acredita que o desrespeito às regras parece ser um movimento coordenado entre as operadoras. A missão agora é manter o tema em pauta no Ministério do Trabalho e Emprego para evitar que os custos subam ainda mais.

A fonte original desta notícia é o portal Estadão e você pode conferir os detalhes completos no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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