Os shoppings centers brasileiros estão passando por uma transformação radical para garantir a sobrevivência no pós-pandemia. Em vez de apenas lojas, os grandes grupos agora investem em minibairros completos ao redor de suas unidades.

Gigantes como Allos, Multiplan e Iguatemi buscam integrar prédios residenciais, escritórios e centros médicos aos seus empreendimentos. O objetivo principal é criar um fluxo constante de pessoas e aumentar o faturamento dos lojistas.

Essa mudança de rota ocorre em um momento de juros altos, que dificultam a construção de novos shoppings do zero. A solução encontrada foi verticalizar e ocupar as áreas vizinhas, conforme divulgado pelo Estadão.

Aposta em minibairros revoluciona o setor de shopping centers

As maiores empresas do setor no Brasil, responsáveis por 83 unidades, estão mudando o foco para o que acontece fora dos centros de compras. A estratégia consiste em erguer prédios residenciais, hotéis e faculdades nos entornos.

Essa via de crescimento não é exatamente nova, mas ganhou uma força sem precedentes na agenda das companhias. Diante das limitações para lançar novos shoppings, os grupos buscam ampliar a rentabilidade dos ativos que já possuem.

Outro fator determinante é que o fluxo de visitantes ainda não voltou totalmente aos níveis de 2019. Com o avanço do e-commerce e do trabalho remoto, atrair o público de forma recorrente tornou-se o maior desafio estratégico do varejo.

Allos e os projetos gigantescos em Campinas

A Allos, maior empresa do setor com 50 unidades, anunciou recentemente um projeto para desenvolver 17 edifícios integrados ao Shopping Parque D. Pedro, em Campinas. O investimento bilionário deve atrair 30 mil pessoas diariamente.

“Já passou aquela época em que o Brasil tinha 20 a 30 inaugurações por ano. As cidades estão bem ocupadas. Ainda cabem novos shoppings, mas essas oportunidades são bem pontuais”, afirmou Rafael Sales, presidente da companhia.

Ao todo, o grupo já possui 72 contratos assinados para a construção de prédios ao lado de 13 unidades pelo país. O modelo de negócio envolve a cessão de terrenos para incorporadoras em troca de uma fatia nas vendas dos imóveis.

Iguatemi cria minicidade de alto padrão

O grupo Iguatemi também acelerou seus planos com o lançamento do Casa Figueira, um loteamento de 1 milhão de metros quadrados em Campinas. A previsão é que o local receba 100 edifícios nos próximos 20 anos.

“Para o Shopping Iguatemi Campinas, será formidável, porque estamos criando um bairro de altíssima qualidade no entorno do shopping. É como um ímã de clientes”, comentou Carlos Jereissati Filho, conselheiro da empresa.

A companhia espera movimentar cerca de R$ 10 bilhões em vendas ao longo das próximas décadas. Projetos semelhantes já estão sendo estudados para áreas em Sorocaba e São José do Rio Preto, visando a valorização das propriedades.

Juros altos e o foco na expansão interna

A taxa de juros elevada no Brasil é o principal entrave para a construção de shoppings partindo do zero, os chamados greenfields. Para Eduardo Peres, presidente da Multiplan, o cenário exige cautela e foco em ativos existentes.

“É preciso ter um ciclo de maior crescimento econômico do País para podermos voltar a olhar greenfields”, destacou o executivo. A Multiplan tem investido em prédios residenciais no Rio de Janeiro e em escritórios no Rio Grande do Sul.

Diferente de seus concorrentes, a Multiplan atua diretamente como incorporadora. O seu maior destaque atual é o Golden Lake, em Porto Alegre, um bairro privativo com diversas torres residenciais localizado próximo ao Barra Shopping Sul.

O novo perfil dos centros de conveniência

Para se manterem relevantes, os shoppings estão deixando de ser apenas centros de consumo para virarem polos de serviços. A inclusão de áreas gourmet, clínicas médicas e arenas de eventos faz parte dessa nova configuração urbana.

Na zona norte de São Paulo, por exemplo, o Grupo Baumgart planeja investir R$ 2 bilhões para transformar o entorno do Center Norte. O projeto inclui diversas torres e uma arena para eventos com capacidade para 20 mil pessoas.

Essa tendência de adensamento urbano ao redor dos shoppings reflete uma busca por conveniência. Ao morar ou trabalhar ao lado de um centro comercial, o consumidor tende a gastar mais e frequentar o local com maior regularidade.

A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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