O governo federal considerou aumentar impostos sobre celulares e eletrônicos, mas recuou após críticas. Geraldo Alckmin, vice-presidente, negou os aumentos em vídeo. O autor critica a alta carga tributária e sugere cortar gastos públicos e combater devedores. Ele alerta que tributar tecnologia prejudicaria a economia e o desenvolvimento. A decisão de não aumentar impostos é vista como positiva, independentemente de ter sido uma fake news ou um recuo governamental.

Se o governo federal pensou mesmo em aumentar o imposto sobre celulares, notebooks e outros eletroeletrônicos de uso pessoal, estava prestes a cometer um erro de dimensões colossais. Um tiro no pé. Esses produtos e itens – como roteadores, memórias e processadores – são básicos em qualquer economia. A inflação subiria, acompanhada da ira dos consumidores, que também são eleitores. Ainda bem que tal despautério não acontecerá.

Geraldo Alckmin, vice-presidente em exercício da presidência na última sexta-feira, correu para estrelar um vídeo negando os aumentos. Sábia decisão, diria o auxiliar do professor Raimundo, na saudosa escolinha da televisão (os mais velhos sabem a que me refiro).

O Brasil já tem uma senhora carga tributária e fiscal, e para equilibrar as contas, deveria começar pelos penduricalhos indecentes que turbinam rendimentos do Judiciário.

Há também o desperdício de dinheiro público em obras paradas, superfaturamento e outras situações semelhantes. Alguém dúvida que tal dinheiro público que escoa pelo ralo totalize bilhões de reais?Um pente-fino nas emendas parlamentares, que deverão chegar a R$ 60 bilhões este ano, também seria uma providência urgente. Qualquer irregularidade de, digamos com suavidade,10%, significaria R$ 6 bilhões economizados.

A União também deve ser muito mais dura com os devedores contumazes, aqueles que rolam dívidas bilionárias ano após ano. Esse dinheiro é subtraído dos cofres públicos, e deixa de aumentar os recursos para saúde, educação, infraestrutura, segurança etc. Já o devedor de centenas ou milhares de reais no Imposto de Renda (IR) enfrenta dificuldades bem maiores e imediatas.

Ou seja, não é boa política correr para tributar determinadas áreas da economia sem considerar o impacto que terão no cenário econômico, do emprego, do desenvolvimento tecnológico, das exportações e até da arrecadação. Então, tenha sido fake news, ou não, o bom é que o governo federal desmente o aumento de arrecadação sobre produtos tecnológicos.

Seria um gol contra, considerando a economia e o desenvolvimento tecnológico. Não me importa se o aumento de tributos foi fake news ou se houve recuo do governo. O importante é que não aconteça.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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