P3C: Novo ciclo de concessões exige estruturação

Gabriel Ribeiro Fajardo, diretor de Concessões e Parcerias da CODEMGE, fala sobre os desafios para consolidar a nova fase da infraestrutura. Crédito: Imagens: Léo Souza e Deividi Correa/Edição: Laís Nagayama

O Consórcio Rota Mogiana, formado pela Azevedo & Travassos e Quimassa Infraestrutura, arrematou nesta sexta-feira, 27, a concessão da Rota Mogiana, vencendo nomes de peso do setor, como Motiva e EPR. O trecho corta 22 municípios desde a região de Campinas (São Paulo) até a divisa com o sul de Minas Gerais. A ganhadora ofertou uma outorga fixa de R$ 1,084 bilhão ante um valor mínimo de R$ 580 mil, configurando um ágio de mais de 187.000%.

O projeto soma 520 quilômetros de extensão, passando por municípios como Campinas, Holambra, Limeira, Mogi Mirim, Mogi Guaçu e São José do Rio Pardo. A concessão prevê cerca de R$ 9,4 bilhões em investimentos na rodovia, que tem papel relevante para o turismo e transporte de cargas.

O consórcio vencedor desbancou outros três concorrentes. A segunda maior oferta foi apresentada pela MC Brasil, do Fundo árabe Mubadala, que ofereceu uma outorga de R$ 1,019 bilhão. Os nomes de maior peso no setor, Motiva e EPR, apresentaram propostas mais modestas de R$ 560 milhões e R$ 180 milhões, respectivamente.

A Azevedo & Travassos, que atua também no setor de óleo e gás, busca dar os primeiros passos no segmento de rodovias. No ano passado, chegou a ganhar a concessão da Rota Agro (BR-060/364/GO/MT). Mas o consórcio do qual ela fazia parte foi inabilitado após a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificar questões com as certidões trabalhistas e com o seguro de garantia emitido pela Reag Seguradora.

Agora, junto com a Quimassa Infraestrutura, será responsável pela operação, manutenção e ampliação da malha viária da Rota Mogiana por 30 anos.

Atualmente, o trecho está sob administração do Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER/SP) e da Renovias, que tem a Motiva como uma das acionistas. O atual contrato da concessionária vence em abril deste ano, por isso a necessidade de uma nova licitação.

As melhorias previstas no edital do projeto da Rota Mogiana incluem duplicação de 217 quilômetros de rodovias, assim como a construção de 58 novas passarelas para pedestres e 135 pontos de ônibus, além de faixas adicionais e novas vias marginais. Estipula ainda a instalação do free-flow (cobrança eletrônica de pedágio).

Com a nova concessão, o governo paulista projeta uma queda de até 29% nas tarifas das atuais praças de pedágio. As maiores reduções ocorrerão em Jaguariúna (-29%), Águas da Prata (-27%) e Estiva Gerbi (-26%). Em nenhum caso haverá aumento nas praças existentes, ainda segundo o governo estadual.

Usuários frequentes terão descontos progressivos, que podem chegar a até 20% ao mês por pórtico. Motociclistas permanecem isentos de pagamento. O sistema prevê prazo de até 30 dias para quitação da tarifa antes da aplicação da penalidade.

Participantes

O certame de hoje contou com um perfil variado de competidores. A Motiva, nome consolidado no setor, possui ampla presença nas rodovias paulistas. Em dezembro de 2025, arrematou a concessão da Rodovia Fernão Dias (BR-381), desbancando a EPR e a Arteris. Em maio de 2024, a empresa já havia saído ganhadora na disputa pela Rota Sorocabana, que corta municípios do sudoeste paulista.

Enquanto a EPR, apesar da ampliação recente do portfólio, ainda não possui uma concessão no Estado de São Paulo. A atuação da concessionária se concentra atualmente no Paraná e em Minas Gerais.

Por sua vez, o MC Brasil, do Fundo Mubadala, é um nome novo entre os certames rodoviários. Mas reforça a tendência de interesse de players financeiros em concessões de estradas.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Banco Master devolve 14 mil m² de escritórios e abre disputa por prédio ‘raro’ na Vila Olímpia

Banco Master devolve 14 mil m² de escritórios na Vila Olímpia e abre disputa por espaço raro no mercado de lajes corporativas de alto padrão

Desocupação do Auri Plaza pode elevar a vacância temporariamente, mas cria oportunidade para empresas financeiras ocuparem imóvel premium
Setor energético precisa avaliar cenários mais extremos, afirma consultor do Banco Mundial

Crise do petróleo e segurança energética: saiba como tensões globais podem impactar o seu bolso

Setor energético discute riscos extremos e a necessidade de novas reservas para garantir o abastecimento nacional em meio a conflitos
Itaú negocia aluguel de novas áreas de escritórios em São Paulo; veja possíveis opções para o banco

Itaú Unibanco negocia aluguel no prédio mais alto de SP; veja as torres de luxo na mira do banco

A instituição financeira avalia locação em edifícios icônicos de São Paulo, como o Alto das Nações, impulsionando o mercado imobiliário.
Diesel: abater ICMS de R$ 1,17 por litro é insuficiente com defasagem de R$ 2,41, diz entidade

Diesel: abater ICMS de R$ 1,17 por litro é insuficiente com defasagem de R$ 2,41, diz entidade

RIO – Com defasagem de R$ 2,41 por litro de diesel nas…