Imagine caminhar pelo metrô e se deparar com anúncios prometendo que você pode ter o “melhor bebê possível”. Essa cena, que parece saída de um filme de ficção científica, já se tornou realidade em Nova York.

Startups do Vale do Silício estão transformando a fertilização in vitro (FIV) em uma vitrine de escolhas genéticas. Agora, pais podem tentar prever desde a cor dos olhos até o risco de doenças complexas.

Essa nova fronteira tecnológica levanta debates profundos sobre ética, ciência e o futuro da nossa espécie, conforme divulgado pelo Estadão, que analisou o avanço dessas ferramentas de triagem de embriões.

A era da triagem de embriões e o futuro da reprodução humana

Empresas como a Nucleus, Orchid e Herasight estão na vanguarda desse movimento. Elas oferecem serviços que permitem aos pais examinar embriões para detectar riscos de saúde e estimar características físicas.

Noor Siddiqui, da Orchid, costuma dizer que “sexo é para diversão; triagem embrionária é para bebês”. O custo para acessar essa tecnologia de ponta pode chegar a US$ 50 mil, tornando-a um luxo para poucos.

O setor aspira remodelar a concepção humana. Além de doenças como hipertensão, os testes prometem prever a inteligência e a longevidade, adicionando traços como cor de cabelo e olhos à lista de opções.

Investimento bilionário do Vale do Silício

Nomes influentes como Peter Thiel e Elon Musk têm investido pesado em startups de fertilidade. Eles veem as baixas taxas de natalidade como uma ameaça global e acreditam que a tecnologia pode reverter esse cenário.

Os investimentos de capital de risco em empresas de fertilidade quase dobraram nos últimos anos. O objetivo é tornar a fertilização in vitro (FIV) mais acessível e automatizada, reduzindo custos de mão de obra.

Especialistas acreditam que, se o preço cair para cerca de US$ 15 mil por ciclo, o mercado global de fertilidade poderá saltar de US$ 30 bilhões para impressionantes US$ 500 bilhões anualmente.

A ciência por trás do bebê perfeito

A tecnologia central aqui é o PGT-P, um exame que avalia embriões com base em pontuações de risco poligênico. Ele utiliza dados de grandes populações para prever como múltiplos genes influenciarão uma pessoa.

No entanto, a eficácia é questionada. Kevin Mitchell, do Trinity College Dublin, alerta que, embora funcione para grandes grupos, “é menos garantido que produza o resultado desejado para um único filho”.

Estudos indicam que a seleção entre dez embriões poderia aumentar o QI em apenas três pontos. Além disso, fatores ambientais, como dieta e educação, costumam ser mais decisivos que a própria genética para muitas condições.

Dilemas éticos e a polêmica da eugenia

Muitos críticos temem que essas startups estejam promovendo uma versão moderna e “amigável” da eugenia. Em países como a Grã-Bretanha, a triagem para características físicas ou sexo já é considerada ilegal.

Defensores da tecnologia, como Delian Asparouhov, rejeitam essas críticas. Para ele, escolher um parceiro já é uma forma de seleção. “Se isso é eugenia, então o Hinge também é”, argumenta o investidor de forma direta.

Enquanto o debate esquenta, a tecnologia continua avançando. O que antes era considerado controverso, como a própria fertilização in vitro, agora faz parte do cotidiano, sugerindo que o futuro dos bebês planejados pode estar próximo.

A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo, disponível em: https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-quanto-voce-pagaria-por-um-bebe-mais-inteligente/

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