As autoridades panamenhas assumiram, nesta segunda-feira, 23, o controle de dois portos no Canal do Panamá anteriormente operados pela CK Hutchison Holdings, empresa com sede em Hong Kong.

Após 29 anos, o contrato de concessão dos terminais à companhia asiática foi revogado pela Suprema Corte do país americano depois que o presidente Donald Trump ameaçou retomar o controle da passagem entre o Atlântico e o Pacífico. O republicano alega que via é controlada pela China.

Na terça, 24, em comunicado, o governo honconguês expressou “grande insatisfação e oposição” ao episódio, que classificou como “apreensão forçada”.

A Hutchison Holdings operava os portos de Balboa (no lado do Pacífico) e Cristóbal (no lado do Atlântico), localizados em entradas opostas da hidrovia, desde 1997, há 29 anos. Em 2021, a concessão foi renovada por mais 25 anos. Mas, em janeiro deste ano, o Supremo Tribunal de Justiça declarou a concessão inconstitucional por ter “um viés desproporcional em favor da empresa” que prejudicava o Estado.

“A CKHH considera a tomada dos terminais ilegal. As ações do governo panamenho também representam sérios riscos às operações, bem como à saúde e segurança nos terminais de Balboa e Cristóbal”, afirmou o grupo em um comunicado à imprensa nesta segunda.

A tomada, que segundo as autoridades ocorre sem incidentes, aconteceu após a publicação da decisão judicial no Diário Oficial, a etapa legal final.

O “decreto de ocupação” deu início à um período de transição de 18 meses, durante o qual os portos serão administrados por duas das principais operadoras de carga do mundo até que sejam concedidos por meio de um processo de licitação competitiva.

A APM Terminals, subsidiária da dinamarquesa Maersk, vai administrar o porto de Balboa sob um contrato de US$ 26 milhões, enquanto a Investment Limited (TiL), parte do gigante MSC, operará o porto de Cristóbal em um acordo de quase US$ 16 milhões, informou o governo.

A Hutchison vai recorrer da decisão na Câmara de Comércio Internacional (CCI). A China também ameaçou o Panamá com uma multa “alta” pelo cancelamento da concessão. Os Estados Unidos, por sua vez, comemoraram.

À imprensa, o embaixador dos americano no Panamá há 20 anos, Kevin Cabrera, afirmou que a CKHH “era uma operadora que não estavam fazendo um bom trabalho”.

Alberto Alemán Zubieta, ex-administrador do canal e chefe da transição, estima que o processo de apelação perante a CCI, em Paris, durará “muitos anos”. /AFP

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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