Há mais de 2 mil anos, o filósofo Aristóteles já diferenciava o que é natural da técnica criada pelo homem. Hoje, essa ideia antiga ajuda a explicar por que o mercado de robótica vive um impasse entre máquinas específicas e as que imitam humanos.

A grande questão atual da IA Física é decidir quem deve se adaptar, se o ambiente precisa mudar para receber as máquinas ou se os robôs devem ser moldados para o nosso mundo. Essa escolha define o futuro de grandes indústrias.

A discussão envolve bilhões de dólares e promete transformar a economia global nos próximos anos, conforme divulgado pelo Estadão.

A revolução da IA física e o dilema da adaptação tecnológica

Atualmente, o mercado é dominado pelos robôs de propósito específico. Eles são braços articulados em fábricas ou máquinas cirúrgicas que exigem que todo o ambiente ao redor seja construído apenas para o seu funcionamento.

Do outro lado surgem os robôs humanoides, que são máquinas projetadas para se encaixar no mundo que já criamos para nós mesmos. Essa arquitetura traz desafios técnicos, mas oferece uma versatilidade sem precedentes para o trabalho.

Domínio industrial e a força da China

O setor de máquinas industriais ainda é o mais relevante globalmente. Segundo a International Federation of Robotics, 542 mil robôs foram instalados em 2024, elevando a frota mundial para 4,5 milhões de unidades em operação.

A China lidera esse movimento com folga, sendo responsável por 54% das novas instalações. O país possui o maior parque industrial robótico do mundo, com dois milhões de máquinas, o que representa 43% do total global atualmente.

O crescimento explosivo dos humanoides

Embora o mercado de humanoides ainda seja inicial, as projeções são ambiciosas. A Grand View Research estima que esse setor alcance US$ 40,5 bilhões até 2033, com um crescimento anual impressionante de mais de 38%.

O Goldman Sachs também aposta alto, projetando US$ 38 bilhões até 2035. O número de unidades instaladas deve quintuplicar em poucos anos, superando obstáculos de design e aceitação pública conforme a tecnologia avança rapidamente.

Queda de custos e o retorno financeiro

Um dos fatores mais impactantes é a redução de custos. O valor de produção de um humanoide caiu cerca de 40% em apenas um ano. Projeções indicam que essas máquinas podem custar menos de US$ 17 mil até o ano de 2030.

O tempo de retorno do investimento, o chamado payback, também despencou. Enquanto um robô industrial se paga em pouco mais de um ano, um humanoide em uso intenso pode atingir esse equilíbrio em apenas seis meses de operação.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e um link para a matéria original pode ser acessado em: https://www.estadao.com.br/economia/guy-perelmuter/a-selecao-natural-das-maquinas/

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