A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro traz incertezas para o mercado corporativo. O foco principal recai sobre a continuidade da agenda ESG no país.
Especialistas acreditam que o resultado das urnas pode ditar o ritmo das políticas ambientais e sociais nas empresas. Mudanças na regulação e novos incentivos econômicos são os pontos de maior atenção.
Gestores de grandes instituições avaliam que o ambiente político influencia diretamente os compromissos públicos assumidos pelas companhias brasileiras, conforme divulgado pelo Estadão.
Como as eleições presidenciais impactam a agenda ESG nas empresas brasileiras
O impacto direto da regulação federal
Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, a influência ocorre de forma direta e indireta. O governo federal tem o poder de criar recompensas para empresas que adotam compromissos sociais.
Segundo Astrini, “a eleição presidencial, tanto em regulamentação, quanto no ambiente favorável ou desfavorável para agenda de clima, presta um serviço importante e que vai influenciar a agenda ESG no Brasil”.
Já Lígia Maura Costa, da FGV, pontua que as estatais podem gerar um efeito manada no mercado. Ela reforça que empresas com boa governança manterão seus planos, independentemente de quem esteja na presidência.
Riscos para a equidade racial e social
Guibson Trindade, do Pacto de Promoção da Equidade Racial, demonstra preocupação com a descontinuidade de pautas inclusivas. Para ele, o governo federal impacta as prioridades de desenvolvimento social e incentivos.
Trindade destaca que “para as empresas, o desafio é não permitir que a agenda ESG, especialmente a equidade racial, fique vulnerável aos ciclos políticos”, protegendo o potencial produtivo da população negra.
Ricardo Sales, do Instituto Mais Diversidade, complementa que o papel do governo, via CVM, pode acelerar ou frear avanços. Ele defende que apenas no estado democrático de direito as diferenças podem ser celebradas.
Sustentabilidade e o cenário global
Jandaraci Araujo, cofundadora do Instituto Conselheira 101, alerta que a falta de propostas claras para a sustentabilidade já é um retrocesso. Ela vê diferenças marcantes entre os planos de governo de Lula e Bolsonaro.
Enquanto um foca na transição energética, o outro prioriza a exploração de recursos naturais. Para ela, “em um cenário global de transformação econômica, ficar parado também significa retroceder”, exigindo ambição constante.
Araujo reforça que o Brasil possui avanços institucionais, como o Fundo Clima e a Taxonomia Sustentável, que precisam de segurança jurídica e continuidade para que o país não perca competitividade internacional.
Governança e consistência corporativa
Margareth Goldenberg, do Movimento Mulher 360, acredita que o momento é de provar a consistência dos compromissos corporativos. Ela diferencia empresas que usam a pauta apenas para reputação daquelas que a têm na estratégia.
Segundo a gestora, “é um momento importante para as empresas mostrarem a consistência de seus compromissos”. O risco é que anos de avanços em diversidade sejam enfraquecidos por circunstâncias políticas de curto prazo.
A visão geral dos especialistas indica que, embora o governo mude o ritmo das políticas, a pressão do mercado global e a gestão de riscos devem manter o ESG como um pilar central para a sobrevivência das grandes companhias.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo






