O acesso ao crédito rural na Amazônia é um fator determinante para o sucesso do produtor. Sem recursos, fica impossível renovar lavouras, comprar máquinas modernas ou instalar sistemas de irrigação eficientes.
No entanto, levantamentos recentes indicam que o dinheiro não chega de forma igualitária para todos os tipos de cultura. Existe uma tendência de que o financiamento siga caminhos já conhecidos, ignorando novas oportunidades.
Essa concentração de recursos em atividades tradicionais dificulta o avanço de lavouras perenes, que poderiam ser mais lucrativas e sustentáveis, conforme divulgado pelo Estadão.
Por que o crédito rural na Amazônia ainda prioriza a pecuária?
Ao analisar os dados de crédito do Banco Central, percebe-se uma disparidade enorme entre as regiões. No Espírito Santo, o foco dos empréstimos está no café, no cacau e na pimenta-do-reino, movendo a economia local.
Já no Pará e em Rondônia, o cenário é o inverso. Cerca de 60% dos produtores que buscam o crédito rural na Amazônia financiam a criação de gado, enquanto apenas uma pequena parcela de 6% consegue investir em lavouras.
O peso da tradição e a resistência dos bancos
Essa diferença não é apenas um reflexo do passado, mas uma força que se renova. Entre os novos tomadores de empréstimos, a preferência pela pecuária na região Norte continua sendo esmagadora, atingindo quase metade dos contratos.
Um relato curioso ilustra bem essa situação, um produtor que desejava investir em cacau ouviu de um gerente de banco que seria mais fácil conseguir a aprovação se ele escrevesse no formulário que criaria gado.
Isso mostra que os gerentes de banco, muitas vezes, sentem-se mais confortáveis com o que já conhecem. Eles sabem avaliar o risco da pecuária, mas podem ter dificuldades em analisar projetos de lavouras perenes complexas.
Riscos de calote e taxas de juros no setor
Poderia se pensar que o risco de inadimplência na Amazônia é maior para as lavouras, mas os dados preliminares desmentem essa tese. As taxas de juros são semelhantes e o índice de calotes não é superior ao de outras regiões.
Na verdade, o produtor de café no Espírito Santo chega a mobilizar até seis vezes mais crédito por real produzido do que seus pares em Rondônia. Essa escassez de recursos trava o desenvolvimento de negócios promissores.
Para o setor evoluir, é fundamental que o sistema bancário aprenda a diversificar. Identificar culturas rentáveis e criar novos produtos financeiros é o primeiro passo para mudar essa realidade e promover o desenvolvimento regional.
A fonte original deste conteúdo é o Estadão, que traz uma análise profunda sobre os desafios do financiamento agrícola no Brasil. Confira a matéria original em: https://www.estadao.com.br/economia/salo-coslovsky/na-amazonia-o-credito-rural-segue-os-trilhos-da-pecuaria/





