A onda de falências no varejo brasileiro tem colocado os juros altos como o principal culpado. O argumento comum é de que o custo do crédito asfixia as operações financeiras e impede a sobrevivência das marcas.

No entanto, focar apenas nos juros é ignorar transformações profundas que estão em curso no mercado nacional. Administradores que não entenderam as novas regras do jogo acabam ficando vulneráveis às mudanças.

Três fatores principais estão convergindo para reduzir os ganhos das lojas físicas tradicionais, exigindo uma reestruturação completa de quem deseja sobreviver, conforme divulgado pelo Estadão.

As razões reais para o varejo brasileiro em crise

Historicamente, o setor no Brasil se sustentou na prática de vender a prestações supostamente sem juros. Na realidade, esse custo sempre esteve embutido no preço final, disfarçando ineficiências operacionais.

O cenário mudou porque o consumidor agora tem acesso fácil a comparativos de preços. Esse ganho financeiro escondido está desaparecendo, forçando as empresas a buscarem lucro na operação real e não apenas no financiamento.

O fim da ilusão das parcelas sem juros

O comércio eletrônico é o grande responsável por expor essa estratégia. Na internet, a forte concorrência obriga os lojistas a oferecerem preços menores, que não comportam o embutimento de juros em parcelas longas.

As vendas online já representam cerca de 10% do varejo nacional e seguem em ritmo acelerado. Apenas no primeiro semestre deste ano, o setor registrou um crescimento de 17% em comparação ao mesmo período de 2024.

A explosão do comércio eletrônico e da logística

Essa mudança exige uma logística impecável e um novo manejo de estoques. A loja física deixou de ser apenas um ponto de venda para se tornar um showroom, onde o cliente experimenta o produto antes de comprar online.

Até mesmo em áreas periféricas a adaptação acontece. Onde o furgão de entrega não chega, comunidades se organizam em postos de redistribuição, como bares e salões de beleza, garantindo que o produto chegue ao destino final.

O impacto do Pix e das compras internacionais

O Pix também joga contra o modelo antigo. Varejistas modernos já oferecem descontos generosos para quem paga à vista, economizando com taxas de maquininhas e eliminando a necessidade de crédito parcelado.

Somado a isso, existe a facilidade das importações de baixo valor. Com a isenção para compras de até US$ 50, muitos consumidores preferem comprar roupas e acessórios diretamente do exterior, recebendo os produtos em casa.

Quando o mercado se transforma e o gestor não acompanha a evolução, o próprio mercado acaba por substituir o negócio. A sobrevivência depende de encarar a realidade operacional e não apenas lamentar as taxas de juros.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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