O Brasil enfrenta um momento delicado com a persistência de juros elevados, gerando um risco significativo para a continuidade de diversos negócios no país. O cenário atual pressiona o crédito, limitando drasticamente a margem de manobra das empresas para negociar passivos e realizar novos investimentos estratégicos.

Segundo o sócio-fundador do banco de investimento BR Partners, Ricardo Lacerda, há uma espiral negativa na economia que muitas vezes passa despercebida. O especialista aponta que a dificuldade de honrar compromissos financeiros atinge até companhias consideradas saudáveis, conforme divulgado pelo Estadão.

Para Lacerda, o atual patamar da Selic impede que as empresas respirem, obrigando o setor corporativo a refazer cálculos e reprecificar ativos. A expectativa de um ciclo de queda de juros curto e raso intensifica a insegurança sobre o planejamento de longo prazo.

O impacto dos juros elevados na saúde financeira das empresas

A transição de um ambiente de juros baixos, comum durante a pandemia, para um cenário de Selic próxima de 15% desestabilizou o planejamento financeiro de muitos grupos. Muitas empresas se alavancaram acreditando em uma lógica de custo de capital que sofreu uma alteração radical e inesperada.

Ricardo Lacerda explica que companhias com endividamento na casa de duas vezes seu fluxo de caixa, que antes eram vistas como seguras, agora enfrentam dificuldades reais. Esse estrangulamento limita a capacidade de alavancagem de todo o sistema, travando o crescimento econômico e o desenvolvimento de novos projetos.

A necessidade urgente de ajuste fiscal

Para o banqueiro, o grande entrave para a economia brasileira reside na política fiscal. A dependência excessiva da política monetária para controlar a inflação, diante das limitações impostas pelo cenário externo, como a alta do petróleo, é apontada como um fator de risco constante.

Lacerda defende que, independentemente do próximo governo, o Brasil precisa de um plano que permita retornar o juro nominal e o real para um patamar de um dígito. Sem essa mudança estrutural, o país corre o risco de caminhar para uma crise de crédito mais severa e persistente.

Expectativa de reestruturações nos próximos anos

O mercado brasileiro deve presenciar um volume recorde de reestruturações de dívidas nos próximos 24 meses. Esse fenômeno não se restringe apenas às gigantes do setor corporativo, atingindo também empresas menores que estão fora dos radares dos grandes investidores.

A falta de perspectiva para uma redução consistente da taxa básica de juros impede que essas empresas organizem seus passivos de forma eficiente. O cenário é de alerta, com o aumento da inadimplência tanto para o setor corporativo quanto para o consumidor final, segundo o especialista.

Consequências para o sistema financeiro

Embora o sistema financeiro brasileiro apresente solidez e rentabilidade para absorver impactos iniciais, o mercado de capitais para crédito privado já apresenta sinais claros de desgaste. Investidores, inclusive pessoas físicas, estão mais cautelosos após prejuízos recentes.

O maior temor, no entanto, continua sendo a redução significativa da capacidade de investimento na economia real. A permanência dos juros altos drena recursos que poderiam ser utilizados para expansão produtiva, gerando um ciclo que prejudica a produtividade e a geração de empregos no país.

A fonte original das informações apresentadas é o [Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo](https://www.estadao.com.br/economia/entrevista-ricardo-lacerda-br-partners-espiral-negativa-economia/).

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