O mercado de commodities é marcado por um comportamento de montanha-russa, que se repete de forma cíclica e muitas vezes imprevisível. Nos últimos seis anos, o setor viveu um período de grande euforia.
Entre 2021 e 2023, produtores aproveitaram margens altas e custos estáveis. No entanto, o cenário mudou para um momento de depressão, exigindo maior capacidade de administrar riscos voláteis no campo.
A crise atual deve ser encarada como uma oportunidade de aprendizado para as famílias que controlam o setor produtivo, conforme divulgado pelo Estadão.
Gestão de riscos e o ciclo das commodities
Existem riscos operacionais, como clima e logística, e macroeconômicos, como juros e câmbio. Contudo, os riscos de gestão, que envolvem estratégia e sucessão, estão totalmente nas mãos das famílias empresárias.
Em um curto intervalo de tempo, o setor passou de um alinhamento perfeito, com juros baixos e ativos valorizados, para uma tempestade perfeita, onde os preços estão baixos e os custos operacionais seguem elevados.
O impacto da volatilidade nos negócios
Para as empresas que aceleraram demais durante a fase de ouro, a crise trouxe a necessidade de desalavancagem e reestruturação interna. Muitas enfrentam agora recuperação judicial e cortes rigorosos em seus controles.
O grande aprendizado para esses grupos é entender como evitar a repetição desse ciclo de endividamento excessivo. A sobrevivência depende de uma gestão financeira muito mais austera e focada na eficiência operacional.
Oportunidades para quem se preparou
Por outro lado, famílias mais cautelosas, que acumularam reservas financeiras, vivem um momento de expansão. Elas conseguem identificar ativos baratos e estruturar aquisições estratégicas durante a baixa do mercado.
Essas empresas aproveitam o período para ampliar a capacidade de gestão e implementar normas de governança sólidas. O aprendizado aqui é focado em como crescer de forma sustentável mesmo em cenários adversos.
A importância da profissionalização familiar
Muitas empresas do agronegócio ainda operam de forma intuitiva, agindo apenas como pessoa física. Esse déficit de profissionalismo é um risco quando a geração fundadora começa a passar o bastão para os sucessores.
Sem planejamento, controle e compliance, o negócio fica vulnerável. A crise obriga as famílias a adotarem métodos de gestão profissionais que, em tempos de bonança, pareciam ser totalmente dispensáveis para o sucesso.
O futuro e a sucessão no campo
O resultado desse processo deve ser um setor agro brasileiro mais concentrado, porém muito mais eficiente. O país tende a se tornar um player global ainda mais forte com uma nova geração de gestores resilientes.
Esses novos líderes estarão mais preparados para a próxima volta da montanha-russa, que certamente virá. A evolução do campo passa, obrigatoriamente, pela lucidez na administração dos ciclos econômicos naturais do mercado.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e pode ser lida na íntegra em: https://www.estadao.com.br/economia/marcos-jank/agronegocio-crise-aprendizado-evolucao/







