Armando Castelar analisa impactos do conflito no Irã para o Brasil

Magnitude do impacto econômico vai depender da duração do conflito, diz Castelar. Crédito: Eduardo Gerbelli

Em meio a pressões de preços e risco de desabastecimento devido à guerra no Oriente Médio, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a estatal monitora navios com destinos desviados e trabalha com a possibilidade de prolongamento do conflito. Com 8 milhões de barris diários interrompidos, a Petrobras mantém alta utilização das refinarias para reduzir importações. A estatal aumentou entregas de combustíveis em até 15% e enfrenta desafios com preços internacionais elevados.

RIO – Em contexto de pressões sobre os preços e de risco de desabastecimento em função da guerra no Oriente Médio, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta quarta-feira, 18, que a área de inteligência competitiva da estatal monitorou seis navios de terceiros direcionados ao Brasil que tiveram os seus destinos desviados. Ela ainda confirmou que a estatal está trabalhando com a possibilidade de que o conflito se estenda mais do que o esperado, o que exige avaliação constante dos estoques.

Operadores do mercado têm afirmado que navios com combustíveis em águas internacionais estão aguardando uma “janela de preço” para entrar no Brasil. O motivo seriam os preços mais baixos no mercado interno, praticados pela Petrobras, o que inibe a importação. Quando a Petrobras vende abaixo da paridade de importação, a “janela de importação” se fecha, e o mercado privado tende a calibrar volumes, disseram ao Estadão/Broadcast pessoas a par do assunto.

“Ninguém sabe a consequência desse conflito. O que sabemos hoje é que já tem cerca de 8 milhões de barris por dia de interrupção de produção de petróleo cru no Oriente Médio”, disse. “Essa é uma expectativa importante, isso afeta a expectativa de recuperação porque quando a gente olha para frente, interromper produção é fácil, mas não é fácil restaurar principalmente quando a gente conta as instalações que foram bombardeadas.”

A executiva ressaltou que o Fator de Utilização das refinarias estimado para abril é de 98,8%. Quanto maior a utilização das refinarias, menor a necessidade de importação da companhia.

“O mercado de importação é muito competitivo. Temos de reavaliar o cenário a todo momento. Nós temos uma inteligência competitiva, monitoramos importação de derivados, movimento de petróleo cru no mundo todo”, assegurou, após a cerimônia de cessão de um prédio antigo da Prefeitura do Rio, que será transformado no Museu do Petróleo Novas Energias.

Por que os navios tiveram seus destinos desviados?

Magda Chambriard disse que não é possível afirmar que os seis navios que a inteligência competitiva da Petrobras monitorou, e que tiveram os seus destinos desviados, tenham sido desviados em função de melhores oportunidades de venda spot em algum lugar do mundo.

“A gente não pode garantir, que tenham sido desviados em função de melhores oportunidades de venda de spot em algum lugar do mundo. Isso não nos compete. O que nos compete é que nós temos todos os nossos compromissos assumidos sendo entregues regularmente”, explicou. “Nós não estamos descontinuando nenhuma entrega compromissada.”

Segundo ela, a estatal elevou as entregas de combustíveis (diesel e gasolina) em cerca de 10% a 15% a mais do que as cotas das distribuidoras. “Estamos fazendo das tripas coração”, afirmou.

No mercado, existe uma grande apreensão de que a falta de importação de diesel e gasolina provoque um desabastecimento interno, e há quem sugira que a Petrobras eleve os preços no mercado interno para que as importações se tornem mais atrativas.

Com a alta dos preços dos combustíveis no mercado internacional, se as importações seguirem os preços externos, não terão como acompanhar os preços internos da Petrobras.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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