Câmara avança nas discussões sobre o fim da escala 6×1
O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganhou um capítulo decisivo nesta sexta-feira, 24. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, determinou oficialmente a criação de uma comissão especial focada em analisar a proposta que pretende acabar com a tradicional escala 6×1.
A medida, que gera expectativa entre trabalhadores e empresários, visa reformular o formato de descanso e o limite de horas semanais. O novo colegiado será composto por 38 membros titulares e 38 suplentes, garantindo representatividade inclusive às bancadas menores do Legislativo.
A movimentação atende a uma demanda crescente por mudanças nas leis trabalhistas, conforme divulgado pelo Estadão. A expectativa é que o grupo crie um ambiente seguro para negociações que envolvam desde o setor produtivo até as micro e pequenas empresas do país.
O projeto de 40 horas e a transição necessária
O presidente da Câmara já adiantou que pretende apresentar uma emenda específica para o tema. A proposta prevê a redução da carga para 40 horas semanais e a adoção da escala 5×2, mantendo o salário integral dos funcionários, seguindo acordos discutidos anteriormente.
Um dos pontos centrais da comissão será definir um regime de transição. A ideia é permitir que as empresas consigam se adaptar gradualmente às mudanças, evitando impactos negativos na economia. Essa visão de transição já conta com o apoio de nomes como o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.
Possibilidade de escala flexível e novos modelos
Enquanto o governo discute a viabilidade econômica, parlamentares propõem modelos diferentes. O deputado Leo Prates sugeriu, por exemplo, uma redução gradual que chegaria a 40 horas apenas em 2028. Essa escala progressiva está no radar da comissão especial como uma alternativa para minimizar riscos.
Outra vertente defendida no Congresso busca uma maior flexibilização das relações de trabalho. O deputado Mauricio Marcon sugere focar na hora trabalhada em vez de uma escala rígida, argumentando que o modelo atual engessa as contratações e não atende a todos os perfis de profissionais e setores.
Resistência e preocupações com o setor produtivo
A transição não é um consenso absoluto entre todos os atores envolvidos. Alguns parlamentares, como Lucas Redecker, expressam preocupação com o aumento dos custos para o empregador. O setor produtivo teme que a mudança abrupta da escala 6×1 para a 5×2 gere desequilíbrios financeiros graves.
Dessa forma, a comissão terá o desafio de equilibrar a vontade de modernizar as leis trabalhistas com a sustentabilidade das empresas. O debate promete ser intenso nos próximos meses, definindo o futuro da jornada de trabalho para milhões de brasileiros em diversos setores.
A fonte original é o Estadão, e você pode conferir a matéria na íntegra através deste link oficial.







