Entender o ponto de equilíbrio de uma economia é um dos maiores desafios para especialistas e investidores. Esse ponto, conhecido como taxa de juros neutra, é o nível que mantém o emprego em alta sem gerar pressões inflacionárias.

Um novo estudo conduzido pelo economista Vasco Cúrdia, do Federal Reserve de São Francisco, traz uma perspectiva inovadora para esse debate. Ele propõe a análise de uma taxa focada no médio prazo para guiar as decisões financeiras.

A pesquisa sugere que olhar para horizontes intermediários pode ser mais eficaz do que as métricas tradicionais. A nova abordagem busca evitar flutuações excessivas, conforme divulgado pelo Estadão.

Por que a nova taxa de juros neutra de médio prazo é crucial agora?

Vasco Cúrdia observa que existem duas formas tradicionais de medir os juros. De um lado, há as medidas de curto prazo, que são voláteis e imprecisas por acompanharem as mudanças imediatas da economia no dia a dia.

A diferença entre as medidas de curto e longo prazo

Do outro lado, existe a r-star, uma medida de longo prazo introduzida em 2003. Essa taxa só reage a mudanças muito persistentes e, por isso, pode subestimar as pressões econômicas que exigem respostas rápidas dos bancos centrais.

A proposta de Cúrdia foca na taxa natural de juros de médio prazo. Ele utiliza médias de projeções futuras para um período de até cinco anos, analisando dados de inflação e crescimento econômico entre os anos de 1987 e 2025.

O cenário atual e o impacto nos juros americanos

O economista aponta que a taxa natural real de médio prazo está hoje em torno de 1,5%. No entanto, ao analisar os fed funds atuais e a inflação em 3%, o juro real efetivo fica entre 0,5% e 0,75%, um nível abaixo do neutro.

Essa conclusão indica que a política monetária dos Estados Unidos pode estar mais estimulante do que o imaginado. Essa visão é considerada mais acomodatícia do que a média das avaliações feitas pelo próprio comitê do Fed, o FOMC.

Resultados superiores para o emprego e o PIB

Em simulações de ciclos econômicos passados, a taxa de médio prazo apresentou resultados interessantes. Ela gerou uma inflação controlada, semelhante à medida de curto prazo, mas com melhor desempenho para o PIB e o desemprego.

Diferente da taxa de longo prazo, que teve o pior desempenho nas simulações, o modelo de médio prazo conseguiu capturar melhor as quedas econômicas durante a crise financeira de 2008 e o período crítico da pandemia em 2020.

Desafios e o mandato dual do Banco Central

Apesar dos benefícios, o autor ressalta que essa métrica ainda possui um nível relevante de incerteza. O intervalo de confiança estatístico é de 90%, o que exige cautela por parte das autoridades monetárias em suas decisões.

Mesmo assim, considerar essa nova taxa poderia ajudar o Fed a cumprir seu mandato dual, que busca manter a inflação em 2% e o pleno emprego. O uso desse indicador pode reduzir desvios e trazer mais estabilidade para o mercado global.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original acessando este link.

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