O cenário econômico brasileiro ganha novos contornos com as recentes declarações de Marcelo Kayath, nome forte para assumir a equipe econômica em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O investidor trouxe uma visão realista sobre as contas públicas.
Kayath, que possui uma trajetória de destaque no mercado financeiro, aponta que promessas de cortes radicais podem não ser sustentáveis na prática. Sua estratégia foca em uma transição equilibrada e sem sobressaltos para a economia nacional.
A análise detalha os desafios de equilibrar o orçamento federal sem prejudicar as camadas mais pobres da população, focando em combater privilégios da máquina pública, conforme divulgado pelo Estadão.
Por que o ajuste fiscal gradual é a aposta para a economia?
Em entrevista, Marcelo Kayath afirmou ser inviável realizar um ajuste fiscal gradual de R$ 200 bilhões em apenas um ano. Para ele, o esforço necessário para atingir um superávit exige cautela e premissas muito bem fundamentadas.
O economista defende que o ajuste não pode ser concentrado nos mais vulneráveis. A proposta inicial seria um choque de gestão, atacando diretamente os supersalários, penduricalhos e o excesso de emendas no Legislativo, buscando credibilidade no mercado.
Kayath acredita que, ao mostrar números críveis, o mercado antecipará os resultados positivos. Isso permitiria que as curvas econômicas se cruzassem em um horizonte de dois a quatro anos, estabilizando a confiança dos investidores no Brasil.
Divergências com a atual gestão e o papel da liderança
Ao comparar sua visão com a do atual governo, o investidor destacou que o problema não reside apenas nos ministros, mas na crença do líder máximo. Segundo ele, é difícil acreditar em um ajuste quando o presidente critica a busca pelo superávit.
Para Kayath, a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno sinalizou uma construção de solução para o mercado. Ele enfatiza que o foco deve ser preservar o salário mínimo, as aposentadorias e os programas sociais fundamentais.
A estratégia econômica passaria por negociações democráticas com o Congresso Nacional. O uso de uma super PEC para sinalizar intenções antes mesmo da posse é uma possibilidade, dependendo da situação fiscal encontrada durante a transição de governo.
O futuro das estatais e a reforma tributária
Sobre as privatizações, Kayath expressou uma visão pragmática. Ele não vê necessidade de vender a Petrobras, o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica, pois são empresas lucrativas e a venda não resolveria o problema estrutural da dívida.
Já em relação aos Correios, o diagnóstico é mais complexo. O economista afirma que a empresa possui patrimônio líquido negativo, o que inviabiliza a venda imediata. A saída seria uma reestruturação profunda para aproveitar sua vasta rede de logística.
Quanto à reforma tributária, o investidor defende que o esforço já realizado não pode ser perdido. No entanto, ele alerta que a implementação atual gera confusão e que ajustes são necessários para garantir a competitividade das empresas brasileiras.
Visão política e compromisso com a democracia
Ex-apoiador de Lula em 2022, Marcelo Kayath justificou sua mudança de rota pela necessidade de novos planos econômicos. Ele vê em Flávio Bolsonaro um perfil conciliador e democrata, descartando qualquer risco de ruptura institucional no país.
O economista reforça que o foco total deve ser a redução das taxas de juros pelo Banco Central. Para ele, o crescimento sustentável só virá com mais emprego, renda e um ambiente que incentive novos investimentos e o surgimento de empresas.
A fonte original desta notícia é o Estadão e o conteúdo completo pode ser conferido através do link: Estadão | Marcelo Kayath projeta cenário fiscal.







