Como Trump está montando uma operação de controle da mídia nos EUA
Presidente conta com empresários amigos para comprar redes de TV e interferir em conteúdo crítico a ele. Crédito: Gabriella Fernandes Lodi/Estadão
A Netflix anunciou nesta quinta-feira, 26, que desistiu do acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery, uma reviravolta surpreendente que abre caminho para que a tradicional gigante da mídia de Hollywood acabe sob o controle de um concorrente, o herdeiro da tecnologia David Ellison.
A Netflix afirmou que não aumentaria sua oferta para contrapor uma proposta mais alta feita no início desta semana pela empresa de Ellison, a Paramount Skydance, acrescentando em um comunicado que “o negócio não é mais financeiramente atraente”.
“Essa transação sempre foi um ‘algo bom de se ter’ pelo preço certo, não algo ‘indispensável’ a qualquer preço”, disseram os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, em um comunicado.

David Ellison Foto: Anna Moneymaker/AFP
Em dezembro, a Netflix fechou um acordo de US$ 83 bilhões para adquirir uma grande parte dos negócios da Warner Bros. Discovery, incluindo a HBO e o renomado estúdio de cinema Warner Bros. A aquisição tinha o potencial de consolidar a Netflix, antes uma empresa iniciante no ramo do cinema e do entretenimento, como a principal potência de Hollywood.
Mas Ellison, ele próprio um recém-chegado ao setor e cuja proposta é financiada por seu pai, Larry Ellison, o bilionário fundador da Oracle, prometeu continuar lutando. A Paramount acabou apresentando uma oferta revisada de US$ 111 bilhões, que a Warner considerou, na quinta-feira, um “acordo superior”, dando à Netflix quatro dias úteis para decidir se fará uma contraproposta.
Como se viu, a Netflix decidiu não fazê-lo.
O que acontece a partir de agora?
Qualquer aquisição da Warner Bros. Discovery será minuciosamente analisada por órgãos reguladores nos Estados Unidos e na Europa, incluindo a divisão antitruste do Departamento de Justiça. Caso a Paramount não consiga obter as aprovações regulatórias necessárias, a Netflix poderá reavivar seu interesse na compra.
Por ora, porém, a guerra pela Warner Bros. parece estar praticamente decidida a favor de. Ellison, um magnata em ascensão de 43 anos que chegou a Hollywood há duas décadas como um aspirante a ator e, de forma um tanto improvável, agora pode controlar dois dos estúdios de cinema mais famosos da cidade, com o prestigiado canal de televisão HBO e a rede de notícias 24 horas CNN.
No ano passado, o presidente americano, Donald Trump, quebrou o precedente ao se inserir diretamente no processo de venda, afirmando que “estaria envolvido” no resultado e oferecendo comentários públicos sobre a Netflix e a Paramount.
A pressão de Trump sobre o Netflix
Nesta quinta-feira, 26, Sarandos passou grande parte do dia em Washington, na Casa Branca, onde discutiu a transação com assessores de Trump e funcionários do Departamento de Justiça.
A visita de Sarandos estava agendada havia mais de duas semanas. Mas ocorreu dois dias depois de Trump ter incentivado publicamente a Netflix a demitir uma integrante do conselho, Susan Rice, que atuou como embaixadora do ex-presidente Barack Obama nas Nações Unidas e como conselheira de segurança nacional.
A Netflix tem dinheiro para aumentar sua oferta, mas seus acionistas questionaram a decisão da empresa de comprar um negócio cinematográfico tradicional. A empresa perdeu mais de US$ 60 bilhões em valor de mercado desde que anunciou o acordo com a Warner Bros. Discovery. As ações subiram quase 10% na quinta-feira, após o fechamento do mercado, depois que a Netflix anunciou que não aumentaria sua oferta.
Sarandos, que concedeu uma série de entrevistas na semana passada destacando o que descreveu como os benefícios estratégicos do acordo para a indústria do entretenimento, também expressou cautela em relação ao valor que a Netflix estava disposta a pagar.
“Somos compradores extremamente disciplinados”, disse Sarandos no início deste mês. “Estou disposto a desistir da compra e deixar que outra pessoa pague a mais por algo.”
A Paramount, embora com um trigésimo do tamanho da Netflix, era a mais determinada das duas concorrentes. Ela vinha perseguindo agressivamente a Warner Bros. Discovery desde que sua oferta de aproximadamente US$ 108 bilhões foi rejeitada em dezembro, levando sua proposta aos acionistas da empresa no que é conhecido como uma oferta hostil. Após diversas revisões em sua oferta, a Warner Bros. Discovery reabriu as negociações com a Paramount na semana passada.
c.2025 The New York Times Company
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Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







