Juros x Inflação: Entenda a relação entre eles

Crédito: Larissa Burchard/Laís Nagayama

Com uma sinalização explícita em janeiro sobre seu próximo passo, o Comitê de Política Monetária (Copom) parecia preparar o mercado para uma abertura de ciclo de baixa da Selic com um corte de 0,5 ponto porcentual na quarta-feira, 18. Mas, no meio do caminho, entre uma reunião e outra, tinha uma guerra, e um barril de petróleo acima de US$ 100 fazendo as apostas migrarem nos últimos dias a uma redução mínima dos juros de referência.

Foi isso o que os diretores do Banco Central (BC) entregaram, com o corte de 0,25 ponto porcentual, a primeira redução da Selic em quase dois anos. O comunicado que anuncia a decisão veio, no entanto, menos conservador do que boa parte do mercado esperava, em tom classificado por muitos analistas como suave, ou dovish no jargão financeiro. Desse modo, na leitura dos especialistas, o tom do documento parece afastar a possibilidade de o conflito interromper o ciclo de alívio monetário.

Apesar da disparada do petróleo, a expectativa de inflação no horizonte observado pelo BC, o terceiro trimestre de 2027, subiu menos do que alguns economistas imaginavam: de 3,2% para 3,3%.

Ainda que tenha retirado a sinalização sobre a próxima decisão, o chamado forward guidance, o Copom falou de “passos futuros” do processo que chamou de “calibração” da taxa básica de juros. Junto da revisão discreta na inflação projetada e da convicção demonstrada pela autoridade de que os juros altos estão surtindo efeito, ficou a sensação de que o ciclo de corte de juros continuará, embora em ritmo que dependerá da duração dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Na sequência do comunicado do Copom, Pantheon Macroeconomics, Warren Investimentos e Santander convergiam na leitura de que o Copom deve repetir um corte de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião, marcada para os dias 28 e 29 de abril.

Para Andres Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon, o Copom indicou que a “barra” para acelerar o ritmo para cortes de 0,5 ponto porcentual segue elevada, sobretudo porque aumentaram os riscos de desancoragem das expectativas de inflação diante das tensões no Oriente Médio e seus efeitos sobre commodities e cadeias de suprimento.

Na mesma direção, a Warren avalia que, enquanto persistir o conflito e seu potencial impacto inflacionário, a autoridade monetária tende a manter passos de 25 pontos-base, projetando Selic em 13,25% ao fim de 2026.

Economista do Santander, Marco Caruso entende que a comunicação tornou novos cortes de 0,25 “mais prováveis”, reduzindo a chance de uma pausa no ciclo de baixa da Selic. Uma aceleração para 0,50 ponto porcentual pode voltar ao radar, interpreta Caruso, se houver melhora relevante do cenário — por exemplo, com reversão de parte da alta recente do petróleo.

“A regra base é seguir com cortes de 0,25. Se houver alguma melhora, pode ir para 0,5, e só com uma piora mais expressiva consideraria uma pausa numa próxima reunião”, comenta Caruso. “O plano, hoje, parece ser seguir na toada de 0,25”, acrescenta o economista do Santander./Eduardo Laguna, Daniel Tozzi, Antonio Perez, Caroline Aragaki e Arícia Martins

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Brasileiro fundador do Agibank entra para grupo de bilionários após IPO em Nova York

Marciano Testa, fundador do Agibank, vira bilionário após IPO conturbado em Nova York: história do gaúcho que começou vendendo bolos da mãe

Empresário brasileiro entra na lista de bilionários com participação de 63% no banco avaliada em US$ 1,1 bilhão
Quatro anos depois, Lula repete erro de Bolsonaro nos combustíveis para tentar se reeleger

Quatro anos depois, Lula repete erro de Bolsonaro nos combustíveis para tentar se reeleger

Petróleo e gás disparam; Bolsas operam em queda após ataques ao Irã…
Coalizão de frentes parlamentares quer manter jornada de 44h para atividades essenciais e domésticos

Fim da escala 6×1: deputados propõem manter jornada de 44 horas para setores essenciais e trabalhadores domésticos na nova proposta da PEC

Articulação busca garantir que serviços como saúde, segurança e transporte não sofram impactos diretos com a possível redução para 40 horas semanais
Vamos virar robôs se deixarmos a IA pensar por nós, diz fundadora da Humanare

Vamos virar robôs se deixarmos a IA pensar por nós, diz fundadora da Humanare

Devemos ser autores na era da IA nas empresas, diz Adriana Schneider…