O avanço tecnológico acelerado pela inteligência artificial está redesenhando o cenário do emprego no Brasil. Milhares de trabalhadores enfrentam uma mudança profunda na forma como as empresas operam hoje.

Um estudo inédito revela que cargos tradicionais estão perdendo espaço para a automação e o trabalho remoto. Essa tendência afeta diretamente quem ocupa funções operacionais e de gestão média no setor privado.

De 500 profissões analisadas, 81 registraram queda no número de contratados nos últimos seis anos, acompanhada de uma redução salarial expressiva, conforme divulgado pelo Estadão.

A inteligência artificial e o impacto no mercado de trabalho formal

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a procura por certas ocupações caiu drasticamente. O salário real de admissão para essas vagas recuou 43,2% no período avaliado.

A profissão de supervisor administrativo foi a que mais sofreu, com a perda de 142,8 mil postos de trabalho. Gerentes de lojas e supervisores de vendas também aparecem no topo da lista de cargos em retração.

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirma que cerca de 16% das principais profissões brasileiras já foram afetadas por uma combinação de novas demandas do fator trabalho com tecnologia aplicada no dia a dia.

Cargos de média administração e a gestão digital

O enxugamento mais visível ocorreu em cargos de supervisão e gerência. Com o uso de softwares de gestão, um único profissional consegue hoje monitorar equipes muito maiores e geograficamente dispersas nas empresas.

A digitalização de processos de retaguarda e o achatamento dos organogramas corporativos reduziram a necessidade de intermediários. Isso gerou uma centralização de serviços que antes demandavam diversos níveis hierárquicos.

De acordo com o estudo, essa mudança estrutural não se limita a um setor específico. Ela reflete uma nova forma de organizar as companhias, priorizando a tecnologia em vez de grandes estruturas de pessoal administrativo.

O setor de telemarketing e a ascensão dos chatbots

O segmento de telemarketing foi um dos mais atingidos pela automação de baixo custo. O uso de WhatsApp e chatbots com inteligência artificial substituiu operações massivas que antes dependiam de humanos.

Na empresa Atento, o quadro de funcionários passou de 66 mil em 2020 para cerca de 45 mil atualmente. A diretora de RH, Rosana Rosário, destaca: “Desde a pandemia e com o avanço da tecnologia, o processo de atendimento mudou”.

A executiva pondera que a tecnologia foca em atendimentos simples, mas exige que os humanos restantes sejam mais qualificados. “Um especialista de atendimento na Atento tem de mediar conflitos, tratar situações”, ressalta Rosário.

Comércio varejista e bancos em transformação

No varejo, o estoque de gerentes de loja encolheu 32%. A migração para canais digitais e a integração entre lojas físicas e online permitiram que grandes redes operassem com estruturas muito mais enxutas e eficientes.

O setor bancário segue caminho semelhante, com o fechamento de agências e o avanço das fintechs. Funções como gerente de contas e supervisor de tesouraria tiveram quedas de até 27,3% no volume de empregados.

A tendência é que esse processo continue avançando. Para Fabio Bentes, a saída para os trabalhadores é buscar requalificação constante, garantindo que possam ser realocados em áreas onde a produtividade humana ainda é essencial.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e o conteúdo completo pode ser acessado em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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