BRASÍLIA — A Justiça Federal proibiu o governo do Distrito Federal de realizar um aporte no Banco de Brasília (BRB) usando imóveis públicos para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master na instituição.

Entre as ações impedidas pela decisão, estão o uso de nove imóveis oferecidos pelo governo para reforçar o capital do BRB, com a transferência dos bens para o banco, a oferta dos imóveis como garantia em um empréstimo e a criação de um fundo imobiliário com os terrenos.

A decisão não interfere na gestão interna do BRB. O banco mantém o direito de realizar sua assembleia geral, marcada para quarta-feira, 18, e seus órgãos de controle podem continuar propondo estratégias para estancar a crise de liquidez, desde que as medidas não envolvam a execução imediata dos atos previstos na lei.

Juiz entende que oferta de imóveis compromete patrimônio do DF e de estatais

A lei aprovada oferece nove imóveis para serem usados na capitalização do BRB. Como o Estadão mostrou, um dos imóveis tem um problema jurídico e outro está em uma área de preservação ambiental. O governo não apresentou laudos atualizados sobre os valores dos imóveis e nem realizou estudos demonstrando os impactos da medida, e apenas estimou que os imóveis tenham um valor de aproximadamente R$ 6,6 bilhões.

Segundo o juiz, a lei autoriza o desfalque de bens de empresas como Terracap, CEB, Caesb e Novacap – instaladas em terrenos oferecidos para o BRB – sem qualquer estudo prévio de impacto nos serviços públicos que elas prestam. Além disso, o projeto autorizou o Distrito Federal a adotar vários instrumentos para capitalizar o banco “sem qualquer informação precisa sobre a condição econômica e o grau de comprometimento de liquidez da instituição financeira”, disse o magistrado.

A Justiça entendeu que a Câmara Legislativa poderia autorizar o Distrito Federal a transferir bens de outras estatais e do próprio DF, de forma complementar, mas não sugerir instrumentos e métodos de capitalização. “A solução para a crise financeira do BRB deveria se originar da própria instituição financeira e não do Parlamento distrital”, afirmou o juiz.

Em outro trecho, a decisão diz que “O problema não é a lei em si, mas os efeitos concretos, que poderão lesar o patrimônio público de empresas estatais, com a possível transferência de imóveis de outras entidades estatais para o BRB, para contar crise de liquidez.”

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
‘A CVM se comporta como espectador de escândalos e cartório de registro de danos’, diz especialista

CVM vira ‘espectador de escândalos’ e seu dinheiro corre perigo: veja como se proteger agora

Especialista denuncia falhas na fiscalização do mercado de capitais e alerta para impunidade que atinge 97% das punições.
Tarifa Social Paulista garante desconto na conta de água para 6 milhões de pessoas

Tarifa Social Paulista: Desconto na Água Dobra para 6 Milhões em SP; Saiba Reduzir Conta em Até 78% e Conquistar Dignidade no Saneamento Básico

O programa do Governo de São Paulo, considerado o maior social de saneamento do Brasil, impacta diretamente o orçamento doméstico e amplia o acesso a serviços essenciais para famílias vulneráveis.
Zema quer MP para privatizar Petrobras no 1º dia de governo, diz Carlos da Costa

Zema quer privatizar Petrobras no primeiro dia de governo; entenda o plano econômico agora!

Proposta do candidato do Novo foca em privatizações e mudanças profundas na Previdência e leis trabalhistas
Área técnica do TCU indica sobrepreço em leilão e recomenda suspender contratação de termelétricas

TCU aponta indícios de sobrepreço em leilão bilionário de energia e recomenda suspensão da contratação de termelétricas pelo Governo Federal

Área técnica do tribunal identifica falhas concorrenciais que podem custar até 800 bilhões de reais aos consumidores brasileiros nos próximos quinze anos