A gigante Vale deu um passo importante para fortalecer sua hegemonia no setor de minério de ferro. A companhia anunciou a compra de uma participação na Ligga S.A., mineradora que atua em uma região estratégica no Pará.
O movimento garante à Vale o controle sobre a produção atual e futura de uma área vizinha ao seu complexo em Carajás. O acordo envolve não apenas ações, mas também um contrato de compra exclusiva de longo prazo.
Essa parceria visa aumentar a eficiência logística e ampliar o acesso a reservas minerais de alta qualidade sem os riscos de novos projetos, conforme divulgado pelo Estadão.
Expansão estratégica da Vale no coração mineral do Pará
Detalhes do acordo e aumento da produção
A Vale adquiriu 30% de participação minoritária da Ligga, empresa controlada pelo grupo Santa Elina. Além disso, assinou um contrato de offtake, garantindo que será a única compradora de toda a produção da mina Ferro Sul.
Atualmente, a unidade produz 2 milhões de toneladas por ano. O plano das empresas é quadruplicar esse volume, chegando a 8 milhões de toneladas anuais em dois anos, aproveitando a estrutura já existente na região sul do estado do Pará.
No plano de expansão, serão feitos investimentos da ordem de R$ 500 milhões. Os recursos serão aplicados principalmente em um ramal ferroviário de 9 km, ligando a mina até a ferrovia da Vale, facilitando o escoamento global.
O valor das reservas e a descarbonização
As reservas certificadas de minério de ferro da Ligga são da ordem de 1,5 bilhão de toneladas. Essa riqueza atraiu a Vale, pois permite futuras ampliações de produção e investimentos no minério do tipo itabirito no futuro.
A jazida pode produzir o chamado pellet-feed, produto de alto teor de ferro. Esse material tem grande demanda mundial por siderúrgicas que buscam reduzir a emissão de CO2 na produção de aço, na onda da descarbonização.
Segundo a Vale, a operação reforça a flexibilidade do portfólio em Carajás ao garantir acesso ágil a volumes minerais estratégicos. O modelo de baixa intensidade de capital evita os prazos regulatórios de projetos do zero.
Logística integrada e competitividade global
Para a Ligga, o negócio propicia acesso direto à logística ferroviária e portuária da Vale. A produção será integrada ao corredor da Estrada de Ferro Carajás e ao terminal de Ponta da Madeira, em São Luís, de onde partem os navios.
Estar na estrutura da Vale é um benefício crucial em tempos de frete marítimo elevado. Sem essa parceria, mineradoras de pequeno e médio porte enfrentam dificuldades para competir no mercado internacional, especialmente na China.
A Vale é a maior mineradora de ferro do mundo, com produção de 336 milhões de toneladas em 2025. Ela compete diretamente com as gigantes australianas Rio Tinto e BHP, além da Anglo American, que atua no Brasil.
Origens da Ligga e o grupo Santa Elina
A Ligga S.A. surgiu da Rio Minas Mineração, fundada em 2011 pelo grupo Santa Elina. A empresa chegou a formar uma joint venture com a Cosan, mas os sócios decidiram desfazer a parceria recentemente, em 2026.
O grupo Santa Elina pertence à família Brito e foi fundado na década de 70. Além do ferro, a família controla a Aura Minerals, mineradora de ouro listada em bolsas internacionais, e possui operações de zinco em Rondônia.
A mina da Ligga começou operando com 600 mil toneladas e cresceu gradualmente. Com a entrada da Vale, a expectativa é que a mineradora alcance uma receita na faixa de US$ 800 milhões anuais, conforme os preços atuais de mercado.
A fonte original desta notícia é a [ESTADÃO] e você pode conferir a matéria completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo



