A discussão sobre o futuro das cidades brasileiras ganhou um novo capítulo durante o Energy Summit, no Rio de Janeiro. Especialistas do setor apontaram que a simples troca de motores a combustão por elétricos não será a solução mágica para o trânsito.

O foco agora se volta para a necessidade de um planejamento urbano integrado, que considere a geografia e a realidade social do Brasil. Sem uma infraestrutura robusta, as inovações tecnológicas podem acabar subutilizadas e sem impacto real na vida do cidadão.

O debate destacou que a urgência climática pede respostas rápidas, mas a complexidade urbana exige cautela e estratégia, conforme divulgado pelo Estadão.

A falha da tecnologia diante da infraestrutura precária

O custo social da ineficiência urbana

Marcus Quintella, diretor da FGV Transporte, afirmou que o atual sistema gera um custo social insustentável. Para ele, a perda de tempo e o alto número de acidentes nas grandes metrópoles precisam ser minimizados com políticas públicas eficientes.

O especialista ressaltou que as cidades brasileiras sofrem com problemas básicos, como a falta de integração física e tarifária. Segundo ele, “a tecnologia evolui de forma mais rápida do que nossa infraestrutura”, o que acaba travando o desenvolvimento urbano.

A ilusão da eletrificação total

Larissa Amorim, sócia da Garin Partners, defendeu que apenas trocar a frota por veículos elétricos não resolve questões de volume de tráfego e resíduos. Ela pontuou que, se todos os veículos fossem elétricos, os problemas de transporte continuariam existindo.

A multimodalidade surge como a solução real, unindo ciclovias, ferrovias e transporte sob demanda. A sustentabilidade deve focar no acesso eficiente para a população, garantindo capilaridade e inclusão social, indo além da simples redução de emissões de carbono.

Segurança jurídica para novos investimentos

O advogado Luiz Gustavo Bezerra destacou a importância de leis recentes, como a do Combustível do Futuro. Essas normas trazem a previsibilidade necessária para que o mercado financeiro invista com confiança na transição energética brasileira.

Marcos regulatórios ajudam a transformar metas ambientais em ativos reais e protegidos. Com a precificação de emissões, o setor ganha segurança jurídica e viabilidade econômica para implementar mudanças profundas no transporte coletivo e de carga em todo o país.

A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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