O Brasil possui um dos maiores potenciais de geração renovável do mundo, utilizando fontes naturais abundantes e teoricamente gratuitas. No entanto, o cidadão brasileiro ainda enfrenta um dos custos de energia elétrica mais elevados do planeta.

O paradoxo entre a abundância de recursos naturais e a conta de luz pesada foi o tema central de um debate no São Paulo Innovation Week. Especialistas apontam que o problema vai muito além da geração e envolve questões estruturais de mercado.

Conforme divulgado pelo Estadão, o custo elevado é resultado de um conjunto complexo de fatores que vai desde a carga tributária até a forma como o setor é gerido pelo governo federal e demais órgãos competentes.

A composição do custo da energia e o peso dos impostos

Durante o evento, Wilson Ferreira Junior, CEO da Matrix Energia, destacou que o consumidor paga uma média de R$ 850 por MW/hora. Esse valor é formado por várias camadas, sendo que apenas uma pequena parte reflete o custo real da energia gerada.

De acordo com o executivo, o custo de geração representa apenas 30% da conta, enquanto a transmissão responde por 10% e a distribuição por 15%. Os 45% restantes são compostos por diversos encargos e impostos, elevando o preço final.

Falta de governança e influência política

O jornalista especializado em energia, Rodrigo Ferreira, criticou a falta de critérios técnicos em decisões cruciais do setor. Segundo ele, diferente da política de juros do Banco Central, o setor elétrico sofre com interferências de cunho político.

Ferreira ressaltou que decisões sobre riscos do sistema deveriam ser baseadas estritamente em segurança e custos, mas frequentemente seguem diretrizes políticas. Esse comportamento, segundo o jornalista, pode levar a decisões equivocadas que encarecem o sistema.

A visão do mercado sobre o risco energético

Fillipe Soares, da Thymos Energia, explicou que o país opera de forma excessivamente conservadora quanto à exposição a riscos. Para o especialista, o mercado atua como se o risco de apagão fosse muito maior do que a realidade técnica atual.

Soares comparou essa gestão de risco a um seguro caro para um carro esportivo, onde se paga alto para evitar um perigo que poderia ser gerido com mais equilíbrio. O desafio é encontrar um meio termo para garantir segurança sem encarecer o serviço.

O impacto das decisões na conta do consumidor

O debate reforçou que a percepção de risco inflada acaba sendo repassada ao consumidor final. A busca por um sistema mais eficiente passa, necessariamente, por uma governança que priorize dados técnicos em vez de pressões de curto prazo.

O São Paulo Innovation Week reuniu especialistas para discutir esse e outros temas vitais para o país. A fonte original é o Estadão e a matéria completa pode ser conferida em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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